terça-feira, 29 de julho de 2008

A RAPOSA ESTÁ NO GALINHEIRO!!

Notícia alarmante que recebi via correio eletrônico da Agência Petroleira de Notícias:

Multinacional administra banco de dados da Agência Nacional do Petróleo


Importantes fontes revelaram à AEPET/ Associação de Engenheiros da Petrobrás que a multinacional norte-americana Halliburton, através da sua subsidiária no Brasil, Landmark Digital and Consulting Solutions, está administrando o Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sem ter passado por processo licitatório. E mais: as fontes informaram, ainda, que tiveram acesso ao parecer da Procuradoria Geral da República (PROGE), emitido em 2004, no qual exige que serviços prestados no BDEP sejam feitos mediante licitação. Mas, incrivelmente, a ANP até hoje não cumpriu a determinação da PROGE. A Landmark recebe e tem acesso a todos os dados estratégicos de exploração e produção da Petrobrás, além de receber R$ 600 mil por mês. A Halliburton administra o BDEP há 10 anos. Lembramos que a Halliburton, que já foi presidida pelo vice-presidente norte-americano Dick Cheney, atua no Brasil há mais de 40 anos e recentemente colocou um diretor de sua subsidiária em Angola [Nelson Narciso] na direção da Agência Reguladora, para gerenciar os leilões e o BDEP.

Recentemente, Nelson Narciso trouxe para sua diretoria a SDB - Superintendência de Definição de Blocos, que vão a leilão. Ou seja, a Halliburton é quem manda na ANP, sendo responsável pela principais áreas de atuação da Agência Reguladora. A raposa está ditando as regras do galinheiro e parece que as nossas autoridades estão cegas diante de tal gravidade, que precisa ser corrigida o quanto antes. A sociedade brasileira precisa ficar de olho vivo e agir contra tais ilegalidades. Especialistas dão conta de que esse tipo de atividade [administração do BDEP] só existe no Brasil, assim como a jabuticaba. Nessa história toda, vemos que o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, não passa de uma simples `Rainha da Inglaterra` e `garoto propaganda` da entrega das áreas petrolíferas nos leilões, enquanto a Landmark [Halliburton] é paga para acessar dados altamente estratégicos, resultado de décadas de pesquisas realizadas pela Petrobrás, que foi constrangida a cedê-los com o advento da Lei 9478/97. A Halliburton, principal articuladora da invasão ao Iraque, tem executado uma série de atividades de bilhões de dólares, sem licitações. A Halliburton é o principal membro da corporotocracia norte-americana, que junto com CIA, Sistema Financeiro e outras corporações exploram os recursos dos países em desenvolvimento. (Redação)



Fonte: Aepet

Divulgação: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)

Sobre a inserção externa brasileira...

29/7/2008
Remessas de lucros já superam investimentos


As remessas de lucros e dividendos tiveram em junho mais um mês de desempenho acima das expectativas e encerraram o primeiro semestre de 2008 com um montante superior aos ingressos de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). As remessas das filiais brasileiras para as matrizes no exterior atingiram o recorde de US$ 18,99 bilhões, quase o dobro do valor de igual período de 2007. Enquanto isso, os investimentos estrangeiros somaram US$ 16,70 bilhões. A reportagem é de Fabio Graner e Fernando Nakagawa e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 29-07-2008.

No primeiro semestre de 2007, a situação era diferente: o investimento superava as remessas, com folga. De janeiro a junho do ano passado, o IED de US$ 20,85 bilhões foi mais que duas vezes superior às remessas. Mesmo se forem descontados os cerca de US$ 7 bilhões atípicos em junho de 2007, relativos à fusão das siderúrgicas Arcelor e Mittal e à venda da Serasa, o IED dos seis primeiros meses de 2007 ainda superaria os US$ 9,81 bilhões de remessas de lucros e dividendos.

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes, explicou que as remessas sobem por causa da combinação de maior lucratividade das empresas, câmbio valorizado e problemas das empresas em suas matrizes, que estimulam remessas maiores das filiais mais lucrativas. Ele disse esperar alguma “acomodação” desse envio de recursos nos próximos meses, pois as multinacionais tradicionalmente remetem mais lucros no primeiro semestre.

Altamir destacou que a maior fatia das remessas e lucros no resultado das contas externas mostra uma mudança estrutural no balanço de pagamentos brasileiro. Para ele, a mudança é positiva. “Lucro só se remete quando tem lucro”.

A economista da consultoria LCA Adriana Dupita destacou que, além dos fatores mencionados por Altamir, as remessas de lucros refletem a maior internacionalização da economia brasileira. Para ela, a tendência é que o ritmo de remessas se desacelere a partir deste semestre. Ela prevê neste ano saídas de US$ 34 bilhões e, em 2009, de US$ 26,8 bilhões.

Dados do BC mostram que entre os setores que mais remetem lucros estão os que enfrentam dificuldades em seus países de origem. É o caso do automotivo e de serviços financeiros, com, respectivamente, US$ 2,76 bilhões e US$ 2,40 bilhões no 1º semestre de 2008.

Dois países que têm sido mais atingidos pela crise financeira encabeçam a lista dos principais destinos das remessas: Estados Unidos e Espanha.
Juros elevados atraem capital de curto prazo


A elevação dos juros no Brasil, que deve prosseguir nos próximos meses, voltou a atrair massivamente capitais estrangeiros de curto prazo. Em julho, a três dias do fim do mês, já ingressaram US$ 3,227 bilhões dirigidos a aplicações de renda fixa, sobretudo a compra de títulos públicos, segundo dados do Banco Central. É mais do que três vezes os valores observados em junho. A reportagem é de Alex Ribeiro e publicada pelo jornal Valor, 29-07-2008.

Para o BC, essa revoada é, em boa parte, fruto da realocação de carteiras - os investidores resgataram recursos aplicados em ações no país (US$ 3,495 bilhões) para aplicá-los em renda fixa.


Juros altos: 'Eles vêm para cá e fazem uma farra. Essa trajetória não é sustentável', avalia economista


O professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) Simão David Silber está pessimista com a velocidade de deterioração das contas externas brasileiras. “No curto prazo, é financiável, mas tenho dúvidas daqui a dois ou três anos”, afirmou ao Estado. A reportagem e a entrevista é de Leandro Modé e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 29-07-2008.

Eis a entrevista.

O déficit em conta corrente preocupa?

Claro. O problema não é ter déficit, mas a trajetória é fulminante. Nos primeiros seis meses do ano passado, houve superávit de US$ 2,4 bilhões. Isso foi substituído por um déficit de US$ 17,4 bilhões. É um mergulho no precipício. O governo diz que não é problema por causa do que entrou no País como investimento estrangeiro direto: US$ 16 bilhões no semestre. Mas esse cálculo é meio maroto, pois as empresas brasileiras investiram no exterior US$ 8,5 bilhões. Ou seja, o saldo líquido não é US$ 16 bilhões. O que, então, tem segurado o balanço de pagamentos? O diferencial da taxa de juros brasileira com o exterior. Isso fez a conta de capital ser superavitária no semestre em US$ 40,7 bilhões. Essa trajetória, portanto, não é sustentável no longo prazo e sua forma de correção não está disponível no momento porque o governo não quer cortar gastos. Quando isso ocorre, sobra para o Banco Central o trabalho sujo de, sozinho, tentar segurar a inflação. Daí põe o juro lá em cima. Por arbitragem, entra dinheiro aqui, o que valoriza o real, piora as exportações e faz crescer muito as importações. Nos últimos 12 meses, a importação cresceu acima de 40% e a exportação, 18%. No curto prazo, há funding para financiar. Num prazo maior, 2 ou 3 anos, tenho seriíssimas dúvidas.

O fato de o País ter hoje um sistema de câmbio flutuante não ameniza essa tendência?

Esse argumento só funcionaria se o juro não fosse tão alto. Veja o que ocorre hoje: o déficit externo está aí, grandão, e mesmo assim o real continua se valorizando.

O juro alto, então, impede o funcionamento adequado do sistema de câmbio flutuante?

Na direção de uma desvalorização do real, sim. Na medida em que o BC sinalizou que manterá os juros muito altos neste ano e no ano que vem, se dá um horizonte para o aplicador. Eles vêm para cá e fazem uma farra. Em algum momento, o risco é a expectativa do aplicador mudar. Essas coisas ocorrem de uma maneira que na literatura chamamos de overshooting (sobreimpulso). Se daqui um ano, um ano e meio, o mercado financeiro se der conta de que a trajetória do real, daquele instante para frente, será de desvalorização, tentará antecipar isso mandando dinheiro para fora. Ou seja, de uma hora para a outra, vai estourar o câmbio. Não vai ser gradual. No curto prazo, o câmbio depende basicamente do mercado financeiro. O movimento financeiro é muito maior do que o comercial. Hoje, a proporção é de US$ 3 para US$ 1. O Brasil não está exportando mais. A receita de exportação só está crescendo porque o preço das commodities ainda está subindo. Se a desaceleração mundial for mais intensa, pode haver um impacto sobre os preços das commodities. Aí não tenha dúvidas: o real vai desvalorizar.

Como o sr. vê a recente queda de preço das commodities?

Para nós, o mais importante são as commodities alimentícias, que dependem muito mais da demanda da China, da Índia e de outros países em desenvolvimento. Nas últimas semanas, esse movimento de queda foi concentrado no petróleo e nas commodities metálicas. Mas as agrícolas podem cair 10%, 15%.

Isso aumentaria nosso déficit em conta corrente?

Provavelmente, sim. Se a tendência de preço for de queda, isso vai afetar nossa trajetória de câmbio. O que o governo faria nesse caso? Na minha opinião, interviria no mercado para evitar uma desvalorização acentuada do real, que colocaria mais lenha na fogueira da inflação. O câmbio, hoje, ajuda no controle da inflação.

Esses mais de US$ 200 bilhões de reservas dão ao governo boa capacidade para intervir no câmbio?

No curto prazo, sim. No longo, não faz refresco. Os estrangeiros, entre capital fixo, dinheiro em Bolsa, títulos públicos, etc, têm mais de US$ 500 bilhões aqui. Além disso, os brasileiros podem mandar dinheiro para fora. Ou seja, em um eventual pânico, poderia sair cerca de US$ 1 trilhão. US$ 200 bilhões não fazem cócegas. Não creio que isso ocorrerá, mas o fato é que não compramos o seguro definitivo.

O que seria um seguro definitivo?

Ter reservas extremamente elevadas. US$ 200 bilhões é muito bom, mas, dado o tamanho do mercado financeiro, é pouco.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Mais da mídia... ou do mesmo...

Original em http://www.diretodaredacao.com/site/noticias/index.php?not=4022

MÍDIA BABA NA GRAVATA

Por Mario Augusto Jakobskind

O imortal Nelson Rodrigues usava uma expressão que hoje se aplica ao esquema da mídia conservadora, sobretudo O Globo: “babar na gravata”, no caso, de ódio. É o que acontece neste momento contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na última semana, o jornal de maior circulação no Rio de Janeiro se superou em matéria de manipulação da informação.

Na edição de 24 de julho de 2008, O Globo aparecia nas bancas com a manchete “Líder do MST apóia candidato de curral eleitoral da Rocinha”. O mencionado é José Rainha, um ex-militante do MST, que não representa mais este movimento social, o que é publico e notório. O Globo “informava” (só pode ser entre aspas, pois o certo seria dizer manipulava) que “o líder do MST, que há anos comanda invasões de terra em São Paulo, disse que incentivou a candidatura a vereador do presidente da Associação dos Moradores”. O ex-militante do MST é amigo do candidato Claudinho da Academia, que supostamente tem o apoio de Antonio Bomfim Lopes, o Nem, responsável pela venda de drogas na Rocinha que impede a entrada na área de outros candidatos a vereador, segundo o informe do jornal.

Ao mesmo tempo em que O Globo divulgava o vínculo de Rainha com Claudinho, praticamente ignorava na edição do dia 24 uma nota da Executiva Nacional do MST informando que o movimento não participa do processo eleitoral nem apóia candidaturas a prefeito e vereador. Rainha, portanto, agia por conta própria e não representava politicamente o MST.

Se alguém ainda tivesse dúvida da grosseria manipuladora de O Globo, a apresentação na primeira página de uma foto de arquivo com José Rainha segurando uma bandeira do MST, deixava as coisas bem claras. É o caso de perguntar: que estranho critério de um jornal, abastado como O Globo, colocar em manchete de primeira página uma foto de arquivo tirada da gaveta?

Tem mais: na edição de sábado, 26, a mesma foto de Rainha com a bandeira do MST, editada na primeira página no dia 24 como sendo de arquivo, aparecia na página 9 identificada como de 24.07.2008. E sabem mais o quê? Atrás de Rainha aparecia claramente os dizeres “Oscar Niemeyer nosso irmão A Rocinha abraça pelos 100 anos de luta contra as injustiças sociais”. No meio da foto aparece a data de 15 (possivelmente de dezembro de 2007, quando dos 100 anos do arquiteto) junto com “Local CIEP da Curva do...” (o restante está coberto com a foto do tal do Claudinho da Academia).

Como se tudo isso não bastasse, O Globo prosseguia sua baba na gravata afirmando “com ou sem o beneplácito do movimento, a participação de militantes do MST na campanha eleitoral da Rocinha, em defesa do candidato do curral eleitoral da favela, é mais um indício de que ele se converteu numa organização política cujo foco vai muito além da reforma agrária”. Era a resposta ao Departamento Jurídico do MST, só divulgada na edição do dia 26, de que “José Rainha foi afastado do movimento por não se submeter às orientações do MST” e reafirmando que o movimento “não tem vinculação política com candidatos, partidos políticos ou governos de todas as esferas”.

Não satisfeito com o predomínio do esquema do pensamento único, O Globo em seu editorial de 26 de julho mostrava supostos vínculos do MST com o narcotráfico, como as Farc na Colômbia.

Mas os leitores se enganam se imaginam que só O Globo manipula grosseiramente a informação. Na área eletrônica o troféu “baba gravata de ódio” ficou por conta da TV Bandeirantes, que na semana de 21 a 25 de julho de 2008, sob o comando do âncora “é uma vergonha” Boris Casoy, além de só ouvir um dos lados, exatamente figuras críticas ao MST, também insinuou que o MST tem vínculos com as Farc. Casoy tem história e vida pregressa. Embora negue, integrou os quadros do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) nos anos de chumbo, segundo militantes do movimento estudantil daquele período.

Na era Collor, Casoy se deu bem. Antes do confisco geral da Madame Zélia Cardoso de Mello ele tirou dos bancos todas as suas aplicações financeiras. Disse à época que tinha apenas intuído, não contava com nenhuma informação privilegiada. Ora, âncora de noticiário televisivo, o mínimo que a ética jornalística e a fidelidade aos seus telespectadores recomenda, em qualquer época, é tornar pública a “intuição”.

Hoje, Casoy chega até a alterar a fisionomia, muito próximo de babar, quando fala ou comenta sobre o MST. Isto, na verdade, não é jornalismo, mas, sim, “uma vergonha” e exemplo típico de estratégia de pensamento único.

Atenção nas próximas semanas para o acirramento da baba na gravata de ódio a qualquer tipo de organização dos setores de menor poder aquisitivo da sociedade brasileira.

sábado, 26 de julho de 2008

Agora tá explicado... (sobre distribuição de renda e bolsa-banqueiro)

Não entendia como a distribuição de renda tinha melhorado se o Brasil possui o maior programa de concentração de renda do mundo (o bolsa banqueiro).

Nada como alguém com tempo para esmiuçar detalhes que não percebemos por não buscarmos as informações na fonte.

Ou seriam os textos abaixo mais desinformação?

Duas opções: A) Acredite na fonte que você quiser ou preferir ou B) Consulte você mesmo os dados do PNAD, base do estudo do IPEA, no sítio do IBGE (www.ibge.gov.br)... depois me contem suas conclusões.

Jornal O DIA, Rio de Janeiro, 25 de junho- colunistas.

SOMOS A SOCIEDADE MAIS DESIGUAL DO MUNDO

João Pedro Stédile

O Instituto de pesquisas econômicas aplicadas –IPEA apresentou um importante estudo sobre a distribuição de renda no Brasil, com dados atualizados até 2007. Honra e mérito ao seu presidente economista Marcio Pochmann, que é um especialsita do tema. Mas a imprensa, ao divulgar, fez verso e prosa para dizer que a desigualdade social no Brasil estava diminuindo. Ledo engano. Afinal, como aprendi na faculdade, os economistas somos especialistas em manipular estatísticas.

Vejam o que mudou. Em 2003, o rendimento médio dos dez por cento que ganham salários mais altos era de 4.620,oo reais. Passou para 4.850,oo em 2007. Os dez por cento de trabalhadores mais pobres que ganhavam menos, passaram de 169 reais para 206 reais em média, por mês, em 2007. A desigualdade entre os assalariados, de fato caiu, de 27,3 vezes entre os mais bem pagos e os menos pagos, para 23, 5 vezes. Mas ainda ainda assim é uma vergonha.

No entanto, não é isso que mede a desigualdade social e a renda. Isso mede apenas entre os que ganham salários. Mas não inclui a renda de lucro, juros, alugueis, redimento de açoes, royalties,etc.

A verdadeira distribuição de renda na sociedade se mede, pela comparação de toda riqueza produzida num ano: o PIB. E como ela é distribuída. Pois bem, na década de 60, o trabalho ficava com 50% de tudo o que se produzia e 50% para o capital. Em 2003, o trabalho ficou com apenas 39,8 % e o capital 60,2%, e agora em 2007, o trabalho ficou com 39,1% e o capital subiu ainda mais para 60,9% de tudo o que se produz no Brasil. E do jeito que os bancos e as empresas transnacionais andam ganhando dinheiro, certamente vamos chegar em 2010, com uma diferença ainda maior.

Lamentavelmente, sai governo, entra governo e o Brasil continua sendo a sociedade mais injusta do planeta.


ENQUANTO ISSO...


Estado de sao paulo, 25 de junho de 2008

Brasil tem 23 mil novos milionários
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Em 2007, número de pessoas com fortuna acima de US$ 1 milhão cresceu 19,1%, para 143 mil, diz estudo


Ricardo Leopoldo

Vinte e três mil novos brasileiros entraram para o clube dos milionários no ano passado. Agora, são 143 mil pessoas com fortuna acima de US$ 1 milhão - 19,16% a mais que no ano anterior, que já havia registrado um forte avanço. Os dados são do 12º Relatório Anual sobre a Riqueza Mundial, realizado pela Merrill Lynch e CapGemini.

O Brasil foi o terceiro país do mundo com o maior crescimento do número milionários, graças a um ambiente econômico mais estável e propício para os negócios. A economia cresceu 5,4%, os investimentos das empresas aumentaram e o mercado acionário explodiu.

A Bolsa de Valores de São Paulo fez uma nova geração de ricos - de investidores pessoa física a empresários que venderam ações de suas empresas. Em 2007, o Ibovespa acumulou alta de 43,6%, após superar por 43 vezes suas máximas históricas de pontuação. No ano, 64 empresas abriram capital (40 a mais que em 2006) e levantaram R$ 55,5 bilhões. Parte desse dinheiro foi para o bolso dos acionistas.

O número de pessoas que possuem grandes fortunas no País subiu de 120 mil em 2006 para 143 mil no ano passado. "Os fluxos líquidos de capital privado duplicaram para a América Latina em 2007, contribuindo para o fato de a Bovespa ter alcançado a quarta posição no ranking entre os maiores mercados mundiais para operações de abertura de capital (IPOs)." Isso, de acordo com o relatório, deu suporte para o estabelecimento e integração global do sistema financeiro brasileiro, informaram as duas instituições responsáveis pelo estudo por meio de um comunicado.

A América Latina, ainda segundo o documento, registrou um aumento de 12% em 2007 ante 2006 no número de pessoas com grandes fortunas, conhecido pela sigla em inglês de HNWIs (High Net Worth Individuals). No caso do Brasil, os principais fatores que contribuíram para o incremento do total de cidadãos que possuem ativos financeiros acima de US$ 1 milhão foi o avanço do consumo interno.

O estudo destaca que o desenvolvimento de obras em infra-estrutura e incentivos do governo para o setor de construção civil, como a queda de impostos sobre materiais de construção, geraram um "boom" do segmento no País.

A Merrill Lynch e CapGemini ressaltam que também colaboraram a redução do desemprego e a valorização do câmbio, que diminuiu os custos de importações de máquinas e bens de consumo. Os juros elevados também foram um fator atraente para o aumento dos investimentos, especialmente em aplicações de renda fixa.

As receitas externas obtidas com as exportações ajudaram a melhorar os fundamentos macroeconômicos do Brasil, pois geraram superávits comerciais que contribuíram para o avanço das reservas cambiais, que estão em US$ 198,86 bilhões.

MUNDO

Em todo o mundo, o número de pessoas que possuem pelo menos US$ 1 milhão em ativos financeiros subiu 9,4% no ano passado, atingindo o montante total de US$ 40,7 trilhões. O número de milionários no planeta já chega a 10,1 milhões de pessoas, um incremento de 6% sobre o total apurado pela pesquisa realizada em 2006.

O estudo apontou também que a média de recursos em poder de cada uma dessas pessoas superou os US$ 4 milhões pela primeira vez, e indicou que subiu 8,8% o número de pessoas que possuem fortunas superiores a US$ 30 milhões em aplicações financeiras.

O estudo projeta que o montante de riquezas apuradas pelas pessoas com grandes patrimônios financeiros deve crescer a uma taxa média anual de 7,7% até 2012, quando deve atingir um volume global de US$ 59,1 trilhões.

AVANÇOS EM 2007

143 mil
brasileiros tinham fortuna acima de US$ 1 milhão

19,16%
foi o crescimento do número de milionários ante 2006

12%
foi o crescimento do número de milionários na América Latina em relação ao ano anterior

5,4%
foi o crescimento da economia brasileira

43,6%
foi a valorização do Ibovespa, após superar 43 vezes suas máximas históricas de pontuação

64 empresas
abriram capital na Bolsa de Valores de São Paulo

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Entrevista João Pedro Stédile

Segue abaixo os enlaces para a entrevista do João Pedro Stédile no programa Canal Livre da Rede Bandeirantes.

Parte 1


Parte 2


Parte 3


Parte 4


Parte 5


Parte 6


Parte 7 (última)

domingo, 20 de julho de 2008

Outras causas para a inflação

Segue abaixo uma educativa matéria do Caderno Dinheiro da FSP:

Folha de S.Paulo - Com dólar fraco, EUA "exportam" inflação, afirmam economistas - 20/07/2008
www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2007200810.htm
Com dólar fraco, EUA "exportam" inflação, afirmam economistas

Enxurrada de moeda americana fez emergentes comprarem mais commodities

TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL

Os países ricos responsabilizam os emergentes -em particular a China, que coloca 200 milhões de pessoas ao ano no mercado consumidor- pela escalada no preços dos alimentos e de commodities em geral. O consumo chinês, no caso, seria o grande "exportador" de inflação ao restante do mundo.
Para alguns economistas, como Jeffrey Frankel, especialista em commodities da Universidade Harvard, a China só está repatriando agora uma inflação exportada pelo menos desde os anos 80 pelos EUA, por meio da desvalorização do dólar -que reequilibra seu déficit comercial- e pela política de juros baixos -que controla o déficit fiscal, agravado nos anos George W. Bush pela guerra no Afeganistão e depois no Iraque.
"Os EUA exportaram inflação para o restante do mundo, levando os preços em dólares das commodities a decolarem. Há um ano, as expectativas de crescimento do mundo, incluindo na China, se desaceleram, mas os preços do petróleo e de outras commodities subiram ainda mais. A demanda não explica sozinha os aumentos de preços", disse Frankel.

Exportando inflação
Pela teoria monetarista, os governos e os seus Bancos Centrais, quando querem controlar a inflação, costumam subir os juros e retirar dinheiro de circulação por meio da colocação de títulos de sua dívida. O custo é aumentar o endividamento.
A equação só não é totalmente verdadeira para os EUA, donos da máquina que imprime dólares, aceitos em todo o mundo. Ante a necessidade de reduzir a liquidez no país, em vez de subir juros e emitir títulos, os EUA podem liberar a importação. Com isso, conseguem ajustar a oferta do mercado com a demanda e ainda mandam dólares para o exterior, retirando dinheiro de circulação.
"À medida que os EUA ejetam moeda para fora, também reduzem a liquidez interna. Você ajusta não só o lado da oferta como cria a redução da demanda. Essa prática do governo americano é o que chamamos de "exportar inflação". A inflação deles. Qual o problema que ele cria? Aumenta a liquidez de dólar nos mercados mundiais", disse o economista Otto Nogami, do Ibmec-SP.
Para o ex-ministro Delfim Netto, esse aumento de dólares nos emergentes, resultado do chamado duplo déficit americano -comercial e fiscal-, explica parte da inflação atual.
"Os BCs estão numa situação curiosa. Eles causaram uma parte dessa confusão porque mantiveram as taxas de juros muito baixas, permitiram patifaria no sistema financeiro e aumentaram a liquidez de maneira assustadora. Na verdade, eles financiaram essa elevação de preços", disse.

Desvalorização
Delfim lembra que o dólar perdeu 40% de seu poder de compra em relação ao euro só nos últimos quatro anos, e as commodities assumiram um papel de "hedge" [proteção] contra essa desvalorização.
"O maior efeito dos EUA sobre essa elevação dos preços é a desvalorização do dólar. Ela deve explicar uns 40% do aumento do preço dos alimentos. O árabe quer vender o petróleo com correção monetária. Ele quer que o barril de petróleo compre a mesma coisa que comprava antes em dólares. Como o dólar está caindo, eles têm de subir o preço. É tão simples quanto isso", disse.
Para Italo Lombardi, economista da consultoria americana RGE Monitor, a discussão sobre quem exporta inflação para quem perdeu sua relevância na atualidade. Ele afirma que não há consenso se o petróleo sobe porque o dólar se desvaloriza ou se acontece o contrário.
"Esse assunto vem e volta com bastante freqüência aqui nos EUA. Muita gente apostava na recuperação do dólar, pelo menos, até o último discurso do Ben Bernanke [presidente do Fed]. O Fed deu indicações de que não deve elevar juros, o que enfraquece o dólar. E tinha motivos para o dólar voltar a subir, como um crescimento maior nos EUA do que na Europa."
"Como ajustar? Com juro maior também nos EUA. A taxa maior faz com que o excedente de dólares flua novamente em direção aos EUA. Isso aumenta a liquidez do mercado americano", afirma Nogami.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Enquanto isso no mundo real... (ou o que acontece fora das peculiaridades da terras brasilis)

Em tempos de Daniel Dantas no Brasil, acabamos esquecendo do que ocorre mundo afora... Recomendo a leitura do artigo abaixo, é curtinho...

www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1807200807.htm
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS

De volta a 1929

O dinheiro público tem que ser mobilizado para evitar o pior; a ação fiscal para lidar com a crise de hipotecas já vem tarde

TENHO ACOMPANHADO de perto a crise bancária norte-americana e as discussões sobre o acerto ou não das ações tomadas até agora pelas autoridades responsáveis. As atenções estiveram centradas no Fed, principalmente depois do recente resgate do banco de investimentos Bear Stearns. O segmento ultraliberal dos formadores de opinião não poupou adjetivos para condenar essa operação. Mesmo entre membros do governo Bush, foram muitas as críticas azedas contra essa aplicação do dinheiro público. Um jornalista importante do "Financial Times" chegou a decretar o fim do liberalismo e, em seguida, quase tomou uma forte dose de cicuta.
Nesta última semana, mais um evento obrigou o governo americano a propor o resgate bilionário de duas instituições semipúblicas -Fannie Mae e Freddie Mac- e que estavam sendo vítimas de especulações violentas no mercado acionário de Wall Street. Duas novidades devem ser mencionadas nesse novo caso: a primeira é que a proposta veio agora da própria Casa Branca; a segunda é que as cifras envolvidas estão na casa dos trilhões de dólares, e não mais na dos bilhões, como na crise do Bear Stearns.
Esse movimento do executivo foi importante na medida em que tirou do isolamento o presidente do Fed, responsável direto e quase solitário pela decisão de resgate daquele banco. O secretário do Tesouro havia dado declarações ambíguas sobre o comportamento de Ben Bernanke.
Agora, pressionado pelo tamanho das duas instituições federais de refinanciamento de hipotecas, ele foi obrigado a assumir a proposta de injeção de dinheiro público para salvá-las de um colapso iminente.
Essa medida também foi recebida com violentas críticas pelos mesmos defensores extremados do liberalismo, inclusive vários senadores da linha dura do Partido Republicano.
Para esses, o único caminho possível para punir os irresponsáveis seria o da perda total dos recursos investidos. Mesmo que para isso fosse necessário arrastar o mundo todo para a depressão econômica. Esquecem esses senadores, entretanto, que, entre os investidores nos papéis emitidos por essas empresas, estão países como a China e os grandes produtores de petróleo do Oriente Médio. As estatísticas oficiais mostram que mais de US$ 1,2 trilhão das reservas externas desses países está investido em títulos das chamadas agências federais, como a Fannie Mae e a Freddie Mac. O que aconteceria aos norte-americanos, inclusive aqueles que esses políticos ultraliberais pretendem defender, se houvesse a falência dessas empresas e uma fuga do dólar como moeda de reserva?
Mais uma vez voltamos a discutir temas que sinceramente pensava terem sido esclarecidos pelas quebras de instituições financeiras em 1929/ 1933. Mas a semente do liberalismo religioso ainda está bem presente entre nós. Mas não adianta espernear quando uma crise bancária atinge dimensão sistêmica; o chamado dinheiro público tem que ser mobilizado para evitar o pior. Nesses momentos, quanto mais cedo os governos se moverem, menores serão os custos. A ação fiscal para lidar com a crise no mercado de hipotecas já vem tarde. Deveria ter sido tomada há alguns meses, substituindo a devolução de impostos que estamos vendo agora.
Incrível a falta que um entendimento correto do pensamento keynesiano faz nesses momentos.
LUIZ CARLOS MENDONÇA DE BARROS, 64, engenheiro e economista, é economista-chefe da Quest Investimentos. Foi presidente do BNDES e ministro das Comunicações (governo FHC).