... os trabalhadores, de cara temos uma resultado já evidente da crise do capitalismo enquanto US$700 bi são garantidos para a burguesia mundial se recompor da farra, os trabalhadores aposentados dos EUA se ferram (leia matéria abaixo do New York Times, original aqui)
E ainda há quem diga que não há contradição capital x trabalho...
Retirees Filling the Front Line in Market Fears
By JOHN LELAND and LOUIS UCHITELLE
Published: September 22, 2008
Older Americans with investments are among the hardest hit by the turmoil in the financial markets and have the least opportunity to recover.
As companies have switched from fixed pensions to 401(k) accounts, retirees risk losing big chunks of their wealth and income in a single day’s trading, as many have in the last month.
“There’s a terrified older population out there,” said Alicia H. Munnell, director of the Center for Retirement Research at Boston College. “If you’re 45 and the market goes down, it bothers you, but it comes back. But if you’re retired or about to retire, you might have to sell your assets before they have a chance to recover. And people don’t have the luxury of being in bonds because they don’t yield enough for how long we live.”
Today’s retirees have less money in savings, longer life expectancies and greater exposure to market risk than any retirees since World War II. Even before the last week of turmoil, 39 percent of retirees said they expected to outlive their savings, up from 29 percent in 2007, according to a survey by the Employee Benefit Research Institute, an industry-sponsored group in Washington.
“This really highlights the new world of retirement,” said Richard Johnson, a principal research associate at the Urban Institute in Washington. “It’s a much riskier world for retirees, because people don’t have defined-benefit plans. They have pots of money and they have to worry about making it last.”
Carol J. Emerson, 65, sees herself as particularly vulnerable. Her annual income of $50,000 comes almost entirely from dividends, and she says she is worried that as her stocks decline, some of those dividends will fall, too.
“If I were guaranteed that the dividend would remain unchanged, I could ignore that the underlying value of my stocks has eroded,” she said. “But that is not the way it works. If the value of the stocks doesn’t go up again, there are not a lot of companies that can keep on paying a 16 percent dividend.”
Nevertheless, Ms. Emerson decided to push ahead last week with the rebuilding of her sun porch in Ventura, Calif., not wanting to endure any longer the discomfort of life in a mobile home with a leaky and rusting porch.
“I don’t obsess about what is happening, but it is always in the back of my mind,” Ms. Emerson said, adding that she would cancel the $30,000 project if she lost faith that stocks would rebound in her lifetime.
“I can sustain the ups and downs, as long as the downs are followed by ups,” Ms. Emerson said, “but I cannot sustain a constant slow erosion. I am assuming, despite all the terrible news, that somehow things will get better.”
Older people with few assets, including the one-third of retirees who rely on Social Security for 90 percent or more of their income, may not suffer directly from the decline in the stock market, but they feel the pain of higher gas and food prices and reductions in volunteer services like Meals on Wheels, which have been curtailed because of fuel costs.
The collapse of the housing market has hit older homeowners. According to the Center for Retirement Research, Americans over age 63 pulled $300 billion out of their home equity through refinancing from 2001 to 2006, lowering their net worth.
Surveys by AARP, the Transamerica Center for Retirement Studies and the Employee Benefit Research Institute have found that more workers nearing retirement age are putting off their plans to retire, curtailing contributions to their 401(k) accounts and borrowing from the accounts to pay for living expenses, including credit card and mortgage debt.
After three decades of decline, a higher percentage of Americans older than 55 are now working than at any time since 1970, the Bureau of Labor Statistics reports. Some are working because they want to, but many because they need to.
The McKinsey Global Institute reported in June that the typical worker would have to work to age 70 to maintain his or her standard of living in retirement.
Mary O’Connell, 76, and her husband, S. F., 78, of St. Peters, Mo., retired without pensions and with meager benefits from Social Security, counting on income from four stocks. But the bulk of the stock was in Bank of America, whose stock has dropped by nearly a third since the start of the year, including 10 percent last week. “It’s been horrible,” Ms. O’Connell said.
“I can’t cash anything because the value has deteriorated so much that I would lose money. And even if I did I’d face capital gains tax that would wipe out what little bit I’d get.”
At the same time, she said, her “safe” investments — her certificates of deposit — have rolled over to lower interest rates, reducing a reliable stream of income.
Malcolm Gay and Ana Facio Contreras contributed reporting.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Lembranças do Tio Carlinhos...
E o velho Tio Carlinhos, o que diria ele sobre a crise atual? Recebi o texto abaixo por correio eletrônico e resolvi compartilhar convosco.
Karl Marx manda lembranças
CESAR BENJAMIN
O que vemos não é erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas
AS ECONOMIAS modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam 'comportamento racional'. Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação.
Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Em meados do século 19, ele destacou três tendências da sociedade que então desabrochava: (a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria; (b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as 'necessidades do estômago' são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada. Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante. Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria.
Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos. Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D' essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia. E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividade produtiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade.
Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos. Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos e alienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos). Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo.
O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D'. Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas. Karl Marx manda lembranças.
CESAR BENJAMIN, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de 'Bom Combate' (Contraponto, 2006). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.
Karl Marx manda lembranças
CESAR BENJAMIN
O que vemos não é erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas
AS ECONOMIAS modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam 'comportamento racional'. Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação.
Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Em meados do século 19, ele destacou três tendências da sociedade que então desabrochava: (a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria; (b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as 'necessidades do estômago' são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada. Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante. Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria.
Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos. Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D' essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia. E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividade produtiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade.
Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos. Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos e alienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos). Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo.
O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D'. Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas. Karl Marx manda lembranças.
CESAR BENJAMIN, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de 'Bom Combate' (Contraponto, 2006). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Quem são os terroristas?
Quase sempre os contestadores da ordem são taxados de terroristas...
Nunca é demais lembrar que a revolução francesa que inaugurou a hegemonia liberal-burguesa inventou o terrorismo.
Segue abaixo texto do Altamiro Borges publicado no sítio da Carta Maior.
Mídia acoberta terroristas da Bolívia
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país.
Data: 14/09/2008
“Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz”.
Jorge Chávez, líder da oligarquia racista de Tarija.
“Não vejo razão pela qual se deve permitir o Chile se tornar marxista pela irresponsabilidade de seu povo”. Henry Kissinger, secretário de Estado do EUA, poucos dias antes do golpe de 11 de setembro de 1973 que derrubou Salvador Allende.
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Os serviçais da TV Globo tratam os chefões golpistas como “líderes cívicos” e “dirigentes regionais”. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país. Outros “colunistas” bem pagos da mídia chegam a insinuar que a culpa pelos violentos conflitos, que já causaram oito mortes, é do presidente Evo Morales, “um radical e populista” que instigou o separatismo regional.
A manipulação é grotesca até na terminologia. No caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que há décadas enfrentam as oligarquias paramilitares e que foram excluídas violentamente da luta institucional no país, os guerrilheiros são estigmatizados como terroristas, narcotraficantes, bandidos. Já os bandos terroristas da Bolívia, organizados e armados pela elite racista que desrespeita o voto popular, são tratados como “comitês cívicos” e “grupos rebeldes”. O embaixador estadunidense Philip Goldberg, que acaba de ser expulso da Bolívia por estimular abertamente a divisão do país, é apresentado pela mídia subserviente como “negociador”.
A triste lembrança do Chile
O que está em curso na Bolívia é um golpe fascista organizado pela oligarquia local e teleguiado pelos EUA. Seus métodos terroristas lembram o ocorrido no Chile, em setembro de 1973, noutro golpe sangrento orquestrado pelo “império do mal”. Visam desestabilizar e derrubar o governo democraticamente eleito de Evo Morales, confirmado em agosto num referendo. Poucos são os veículos midiáticos e os “colunistas” que denunciam esta conspiração, talvez porque torçam pela derrota do que FHC chamou num paper ao governo Bush de “esquerdização da América Latina”. Como verdadeiro “partido da direita e do capital”, a mídia burguesa não tolera a democracia!
Uma das raras exceções foi o lúcido artigo de Clóvis Rossi, que há muito estava adormecido por seu rancor antiesquerda. “O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas as que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales. Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são uma cópia dos locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende... Nem o governo nem a oposição no Brasil têm o direito ao silêncio”, escreveu, relembrando sua perspicácia e coragem do passado.
O criminoso Philip Goldberg
A conspiração golpista na Bolívia, acobertada pelo grosso da mídia nativa, exige rápida resposta das forças progressistas e democráticas do Brasil. Como afirmou Evo Morales, trata-se de “uma violência fascista com o objetivo de acabar com a democracia e dividir o país”. Sob o biombo da autonomia regional, governadores de cinco departamentos (estados) e abastados empresários têm financiado bandos terroristas que já assassinaram oito camponeses favoráveis ao governo eleito, saquearam prédios públicos, destruíram uma emissora estatal de televisão, sabotaram gasodutos, bloquearam rodovias e proibiram o próprio presidente de pousar em três aeroportos do país.
Segundo relatos de Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior, na semana passada “grupos de jovens de setores da classe média branca, que não escondem seu sentimento racista em relação a Evo Morales, lideraram as manifestações. Capitaneados pela União Juvenil Cruzense (UJC), eles invadiram o prédio da empresa estatal de telecomunicação para ‘entregá-lo à administração do governo Rubén Costas’, de Santa Cruz. Na Televisión Boliviana/Canal 7, saquearam o escritório, destruíram computadores e fizeram uma fogueira na entrada do prédio”. Além de Santa Cruz, as ações terroristas ocorrem em outros quatro departamentos – Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.
Os EUA estão diretamente metidos no complô. O embaixador Philip Goldberg já foi fotografado em eventos da União Juvenil Cruzense (UJC), grupo terrorista de Santa Cruz que utiliza o slogan “terminemos com os ‘collas’ [indígenas], raça maldita”. A embaixada ianque até contratou vários destes bandidos. Goldberg é um fascista convicto. Como embaixador dos EUA na ex-Iugoslávia, ele orquestrou a crise no Kosovo e a sangrenta guerra civil separatista naquele país. Declarado persona non grata, ele finalmente foi expulso da Bolívia. “Não queremos aqui gente separatista, divisionista, que conspira contra a unidade do país”, justificou o presidente Evo Morales.
Intensificar a solidariedade internacionalista
O governo, mesmo aberto ao diálogo, não tem se submetido à pressão dos golpistas, que exigem a anulação da nova Constituição e do referendo que aprovou a manutenção do mandato de Evo Morales. Ocorrido em 10 de agosto, por demanda da própria oposição, o referendo confirmou a força do atual presidente. Evo foi ratificado em 95 das 112 províncias do país e, apesar do caos promovido pelos golpistas, teve mais votos do que na eleição presidencial – obteve 67,41% dos votos, bem acima dos 53,3% em 2005. Sua votação cresceu em oito dos nove departamentos e o referendo ainda revogou o mandato de dois governadores ligados às oligarquias racistas.
Desesperada, a elite investe no terrorismo e esbarra na resistência do governo e do povo. “Vamos agir com serenidade, mas também com firmeza”, diz Alfredo Rada, ministro da Defesa. Walker Sam Miguel, ministro do Interior, garante que “os fascistas não passarão”. O governo já decretou estado de sítio, ameaça deter os chefes terroristas e acionou tropas do exército nos departamentos para garantir o fornecimento de gás e a ordem pública. A derrota dos fascistas, porém, exige o apoio dos governos e dos movimentos sociais na América Latina. O que está em jogo é o avanço da democracia, é a derrota das oligarquias, do “império do mal” e da mídia mentirosa.
Nunca é demais lembrar que a revolução francesa que inaugurou a hegemonia liberal-burguesa inventou o terrorismo.
Segue abaixo texto do Altamiro Borges publicado no sítio da Carta Maior.
Mídia acoberta terroristas da Bolívia
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país.
Data: 14/09/2008
“Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz”.
Jorge Chávez, líder da oligarquia racista de Tarija.
“Não vejo razão pela qual se deve permitir o Chile se tornar marxista pela irresponsabilidade de seu povo”. Henry Kissinger, secretário de Estado do EUA, poucos dias antes do golpe de 11 de setembro de 1973 que derrubou Salvador Allende.
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Os serviçais da TV Globo tratam os chefões golpistas como “líderes cívicos” e “dirigentes regionais”. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país. Outros “colunistas” bem pagos da mídia chegam a insinuar que a culpa pelos violentos conflitos, que já causaram oito mortes, é do presidente Evo Morales, “um radical e populista” que instigou o separatismo regional.
A manipulação é grotesca até na terminologia. No caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que há décadas enfrentam as oligarquias paramilitares e que foram excluídas violentamente da luta institucional no país, os guerrilheiros são estigmatizados como terroristas, narcotraficantes, bandidos. Já os bandos terroristas da Bolívia, organizados e armados pela elite racista que desrespeita o voto popular, são tratados como “comitês cívicos” e “grupos rebeldes”. O embaixador estadunidense Philip Goldberg, que acaba de ser expulso da Bolívia por estimular abertamente a divisão do país, é apresentado pela mídia subserviente como “negociador”.
A triste lembrança do Chile
O que está em curso na Bolívia é um golpe fascista organizado pela oligarquia local e teleguiado pelos EUA. Seus métodos terroristas lembram o ocorrido no Chile, em setembro de 1973, noutro golpe sangrento orquestrado pelo “império do mal”. Visam desestabilizar e derrubar o governo democraticamente eleito de Evo Morales, confirmado em agosto num referendo. Poucos são os veículos midiáticos e os “colunistas” que denunciam esta conspiração, talvez porque torçam pela derrota do que FHC chamou num paper ao governo Bush de “esquerdização da América Latina”. Como verdadeiro “partido da direita e do capital”, a mídia burguesa não tolera a democracia!
Uma das raras exceções foi o lúcido artigo de Clóvis Rossi, que há muito estava adormecido por seu rancor antiesquerda. “O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas as que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales. Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são uma cópia dos locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende... Nem o governo nem a oposição no Brasil têm o direito ao silêncio”, escreveu, relembrando sua perspicácia e coragem do passado.
O criminoso Philip Goldberg
A conspiração golpista na Bolívia, acobertada pelo grosso da mídia nativa, exige rápida resposta das forças progressistas e democráticas do Brasil. Como afirmou Evo Morales, trata-se de “uma violência fascista com o objetivo de acabar com a democracia e dividir o país”. Sob o biombo da autonomia regional, governadores de cinco departamentos (estados) e abastados empresários têm financiado bandos terroristas que já assassinaram oito camponeses favoráveis ao governo eleito, saquearam prédios públicos, destruíram uma emissora estatal de televisão, sabotaram gasodutos, bloquearam rodovias e proibiram o próprio presidente de pousar em três aeroportos do país.
Segundo relatos de Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior, na semana passada “grupos de jovens de setores da classe média branca, que não escondem seu sentimento racista em relação a Evo Morales, lideraram as manifestações. Capitaneados pela União Juvenil Cruzense (UJC), eles invadiram o prédio da empresa estatal de telecomunicação para ‘entregá-lo à administração do governo Rubén Costas’, de Santa Cruz. Na Televisión Boliviana/Canal 7, saquearam o escritório, destruíram computadores e fizeram uma fogueira na entrada do prédio”. Além de Santa Cruz, as ações terroristas ocorrem em outros quatro departamentos – Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.
Os EUA estão diretamente metidos no complô. O embaixador Philip Goldberg já foi fotografado em eventos da União Juvenil Cruzense (UJC), grupo terrorista de Santa Cruz que utiliza o slogan “terminemos com os ‘collas’ [indígenas], raça maldita”. A embaixada ianque até contratou vários destes bandidos. Goldberg é um fascista convicto. Como embaixador dos EUA na ex-Iugoslávia, ele orquestrou a crise no Kosovo e a sangrenta guerra civil separatista naquele país. Declarado persona non grata, ele finalmente foi expulso da Bolívia. “Não queremos aqui gente separatista, divisionista, que conspira contra a unidade do país”, justificou o presidente Evo Morales.
Intensificar a solidariedade internacionalista
O governo, mesmo aberto ao diálogo, não tem se submetido à pressão dos golpistas, que exigem a anulação da nova Constituição e do referendo que aprovou a manutenção do mandato de Evo Morales. Ocorrido em 10 de agosto, por demanda da própria oposição, o referendo confirmou a força do atual presidente. Evo foi ratificado em 95 das 112 províncias do país e, apesar do caos promovido pelos golpistas, teve mais votos do que na eleição presidencial – obteve 67,41% dos votos, bem acima dos 53,3% em 2005. Sua votação cresceu em oito dos nove departamentos e o referendo ainda revogou o mandato de dois governadores ligados às oligarquias racistas.
Desesperada, a elite investe no terrorismo e esbarra na resistência do governo e do povo. “Vamos agir com serenidade, mas também com firmeza”, diz Alfredo Rada, ministro da Defesa. Walker Sam Miguel, ministro do Interior, garante que “os fascistas não passarão”. O governo já decretou estado de sítio, ameaça deter os chefes terroristas e acionou tropas do exército nos departamentos para garantir o fornecimento de gás e a ordem pública. A derrota dos fascistas, porém, exige o apoio dos governos e dos movimentos sociais na América Latina. O que está em jogo é o avanço da democracia, é a derrota das oligarquias, do “império do mal” e da mídia mentirosa.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Enquanto isso na saga Dantesca...
Há quem diga que isso pode dar até impedimento do presidente por obstrução de justiça (acho lá isso um exagero), mas como diriam os italianos "Si non è vero, è ben trovato"...
direto do blog do Nassif (clique aqui para ler o orginal)
Lula, Satiagraha e a Real Politik
Atenção, um novo capítulo se abre para o caso Satiagraha.
O governo Lula acertou um acordo com a Editora Abril – e, por extensão, com Daniel Dantas – para anular a Operação Satiagraha. O acordo foi montado da seguinte maneira:
1. É impossível interferir nos trabalhos em andamento do Ministério Público Federal e do juiz De Sanctis. A ofensiva de Gilmar Mendes foi um tiro no pé.
2. A estratégia acertada consistirá em tentar anular o inquérito de Protógenes, no âmbito da Polícia Federal. A versão preparada é que o inquérito continha irregularidades que precisariam ser sanadas. E a Polícia Federal colocou seus homens de ouro para “salvar” o inquérito. O trabalho dos “homens de ouro, na verdade, será o de garantir a anulação do inquérito.
3. Ao mesmo tempo, o governo aproveitará o factóide dos 52 funcionários da ABIN que participaram da operação - uma ação de colaboração já prevista pelo Sistema Brasileiro de Inteligência - para consumar a degola de Paulo Lacerda. A matéria do Estadão de domingo, o da "demissão em off" estava correta. Sabe-se, internamente no governo, que a operação foi normal. Assim como se tem plena convicção de que o tal “grampo” entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres foi uma armação. Mas Lula se curvou à real politik.
4. De sua parte, jornais e jornalistas mais envolvidos com o jogo estão reforçando essa versão do “inquérito ilegal” e do messianismo do delegado Protógenes. A armação, agora, terá o reforço da concordância tácita do Palácio.
5. O pacto foi referendado pela Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. O Ministro Tarso Genro foi o que se mostrou mais constrangido com a operação, mas acabou se curvando à força dos fatos. Com essa operação, Lula e Dilma passam a ser aceitos no grande salão nobre, pavimentando a candidatura da Ministra para as próximas eleições.
6. O seu principal adversário, José Serra, já é outro aliado que entrou à reboque da Editora Abril. Está pagando um preço caro, com a descaracterização do seu discurso político.
7. A bola, agora, está com o Ministério Público e o Juiz De Sanctis, que terão que trabalhar com essa nova peça do jogo: a intenção de se anular o inquérito.
Não sei por que, mas o evento da Abril me lembrou aquela cena épica de Francis Ford Copolla, o fecho do filme. Enquanto todos estão na grande ópera, os inimigos são fuzilados na calada da noite.
Na grande festa foram selados os destinos do delegado Protógenes e Paulo Lacerda, dois funcionários públicos cumpridores da lei. Anotem os nomes deles e os repassem para seus filhos e netos: foram dois brasileiros dignos, sacrificados por um jogo sujo.
É o fim da grande batalha pela instituição da legalidade no país? Longe disso. É apenas um novo capítulo. Tanto assim, que integrantes próximos ao jogo estão completamente incomodados, assim como vários colegas jornalistas, que entenderam que esse jogo de cena foi longe demais e está comprometendo a imagem da categoria como um todo.
Com tanta testemunha, tanto conflito de consciência, julgam ser possível varrer o elefante para debaixo do tapete? É muita falta de fé no estágio atual de desenvolvimento do país.
direto do blog do Nassif (clique aqui para ler o orginal)
Lula, Satiagraha e a Real Politik
Atenção, um novo capítulo se abre para o caso Satiagraha.
O governo Lula acertou um acordo com a Editora Abril – e, por extensão, com Daniel Dantas – para anular a Operação Satiagraha. O acordo foi montado da seguinte maneira:
1. É impossível interferir nos trabalhos em andamento do Ministério Público Federal e do juiz De Sanctis. A ofensiva de Gilmar Mendes foi um tiro no pé.
2. A estratégia acertada consistirá em tentar anular o inquérito de Protógenes, no âmbito da Polícia Federal. A versão preparada é que o inquérito continha irregularidades que precisariam ser sanadas. E a Polícia Federal colocou seus homens de ouro para “salvar” o inquérito. O trabalho dos “homens de ouro, na verdade, será o de garantir a anulação do inquérito.
3. Ao mesmo tempo, o governo aproveitará o factóide dos 52 funcionários da ABIN que participaram da operação - uma ação de colaboração já prevista pelo Sistema Brasileiro de Inteligência - para consumar a degola de Paulo Lacerda. A matéria do Estadão de domingo, o da "demissão em off" estava correta. Sabe-se, internamente no governo, que a operação foi normal. Assim como se tem plena convicção de que o tal “grampo” entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres foi uma armação. Mas Lula se curvou à real politik.
4. De sua parte, jornais e jornalistas mais envolvidos com o jogo estão reforçando essa versão do “inquérito ilegal” e do messianismo do delegado Protógenes. A armação, agora, terá o reforço da concordância tácita do Palácio.
5. O pacto foi referendado pela Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. O Ministro Tarso Genro foi o que se mostrou mais constrangido com a operação, mas acabou se curvando à força dos fatos. Com essa operação, Lula e Dilma passam a ser aceitos no grande salão nobre, pavimentando a candidatura da Ministra para as próximas eleições.
6. O seu principal adversário, José Serra, já é outro aliado que entrou à reboque da Editora Abril. Está pagando um preço caro, com a descaracterização do seu discurso político.
7. A bola, agora, está com o Ministério Público e o Juiz De Sanctis, que terão que trabalhar com essa nova peça do jogo: a intenção de se anular o inquérito.
Não sei por que, mas o evento da Abril me lembrou aquela cena épica de Francis Ford Copolla, o fecho do filme. Enquanto todos estão na grande ópera, os inimigos são fuzilados na calada da noite.
Na grande festa foram selados os destinos do delegado Protógenes e Paulo Lacerda, dois funcionários públicos cumpridores da lei. Anotem os nomes deles e os repassem para seus filhos e netos: foram dois brasileiros dignos, sacrificados por um jogo sujo.
É o fim da grande batalha pela instituição da legalidade no país? Longe disso. É apenas um novo capítulo. Tanto assim, que integrantes próximos ao jogo estão completamente incomodados, assim como vários colegas jornalistas, que entenderam que esse jogo de cena foi longe demais e está comprometendo a imagem da categoria como um todo.
Com tanta testemunha, tanto conflito de consciência, julgam ser possível varrer o elefante para debaixo do tapete? É muita falta de fé no estágio atual de desenvolvimento do país.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Enquanto isso na velha luta capital x trabalho...
Há quem diga que a luta de classes acabou...
Entre os que ainda acreditam neste preceito, afirmam que agora é a hora dos trabalhadores no Brasil...
Pois bem, deem uma olhada na matéria que retirei do sítio do PNUD sobre um estudo conjunto PNUD/CEPAL/OIT...
Original da reportagem aqui.
Original do estudo aqui.
GANHO DE CAPITAL SUPERA RENDIMENTO DE TRABALHO NA RENDA
Participação de juros, aluguéis e lucros na renda do Brasil cresceu 34,6%, enquanto fatia de remuneração de empregados caiu 19,8%
TIAGO MALI da PrimaPagina

Juros, aluguéis e lucros foram os itens da renda brasileira que mais cresceram desde a última década, superando o rendimento dos trabalhadores. Os ganhos financeiros representavam, em 1990, 38,4% na renda nacional — um dos componentes do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2003, o peso havia subido para 51,7%. A remuneração das pessoas ocupadas apresentou tendência inversa e passou a ser a parte menor do bolo: caiu de 53,5% para 42,9%.
Os dados constam do relatório Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A experiência brasileira recente, lançado em 8 de setembro por três agências da ONU: CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), OIT (Organização Internacional do Trabalho) e PNUD.
O relatório mostra que a participação da remuneração dos trabalhadores no total de ganhos do Brasil caiu 19,8% entre 1990 e 2003. Nos últimos três anos abordados no estudo, acumulou três quedas. Na direção contrária, os ganhos com juros, aluguéis e lucros (chamados de “excedente operacional bruto”) têm tido forte crescimento — o peso aumentou 34,6% no período e cresceu continuamente nos últimos quatro anos analisados.
Os dois fatores fazem parte da distribuição funcional da renda, que é composta ainda por um terceiro item — o ganho dos autônomos, cuja parcela no bolo total também declinou: de 8,1% da renda para 5,4%. Os dados são das Contas Nacionais, calculadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Esse cenário indica, conforme o relatório, que os ganhos com o crescimento do PIB e os benefícios que as empresas brasileiras tiveram com melhoria de tecnologias podem não ter sido repassados, na mesma proporção, aos trabalhadores. O estudo sugere que “a melhoria na distribuição funcional depende de políticas distributivas de renda e, talvez ainda mais essencialmente, das condições em que os ganhos de produtividade são transmitidos aos trabalhadores. O comportamento das variáveis relevantes para essa transmissão foi pouco favorável aos trabalhadores no período aqui estudado”.
Os dados só foram analisados até 2003 devido a mudanças de metodologia no cálculo do PIB, o que influencia diretamente os números. “De qualquer modo, os dados divulgados pelo IBGE com a nova metodologia mostram que, nos anos mais recentes, a distribuição funcional passou a manter relativa estabilidade na repartição entre rendimentos do trabalho e excedente operacional bruto”, assinala o estudo.
Desigualdade de renda no trabalho
Apesar de a fatia da renda nacional relacionada com os ganhos dos trabalhadores ter diminuído, outros indicadores no estudo mostram que, embora muito elevada, a concentração de renda do trabalho caiu nos últimos anos. Essa concentração é medida pelo índice Gini para o rendimento mensal: quanto mais perto de zero, menor a concentração de renda. De 1992 a 2006, o índice caiu de 0,571 para 0,541, uma melhora de 5,2%.
“Contribuíram para essa melhoria na década atual o comportamento favorável do mercado de trabalho e a elevação do poder de compra do salário mínimo. (...) a razão óbvia é que o rendimento do trabalho é decisivo para a renda das famílias”, destaca o relatório.
Apesar disso, o rendimento médio do trabalhador só tem aumentado recentemente. O relatório mostra que ele chegou a R$ 999 em 1996 (ponto mais alto desde 1992), caiu para R$ 807 em 1994, para se recuperar, gradualmente, e chegar a R$ 904 em 2006.
Entre os que ainda acreditam neste preceito, afirmam que agora é a hora dos trabalhadores no Brasil...
Pois bem, deem uma olhada na matéria que retirei do sítio do PNUD sobre um estudo conjunto PNUD/CEPAL/OIT...
Original da reportagem aqui.
Original do estudo aqui.
GANHO DE CAPITAL SUPERA RENDIMENTO DE TRABALHO NA RENDA
Participação de juros, aluguéis e lucros na renda do Brasil cresceu 34,6%, enquanto fatia de remuneração de empregados caiu 19,8%
TIAGO MALI da PrimaPagina

Juros, aluguéis e lucros foram os itens da renda brasileira que mais cresceram desde a última década, superando o rendimento dos trabalhadores. Os ganhos financeiros representavam, em 1990, 38,4% na renda nacional — um dos componentes do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2003, o peso havia subido para 51,7%. A remuneração das pessoas ocupadas apresentou tendência inversa e passou a ser a parte menor do bolo: caiu de 53,5% para 42,9%.
Os dados constam do relatório Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A experiência brasileira recente, lançado em 8 de setembro por três agências da ONU: CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), OIT (Organização Internacional do Trabalho) e PNUD.
O relatório mostra que a participação da remuneração dos trabalhadores no total de ganhos do Brasil caiu 19,8% entre 1990 e 2003. Nos últimos três anos abordados no estudo, acumulou três quedas. Na direção contrária, os ganhos com juros, aluguéis e lucros (chamados de “excedente operacional bruto”) têm tido forte crescimento — o peso aumentou 34,6% no período e cresceu continuamente nos últimos quatro anos analisados.
Os dois fatores fazem parte da distribuição funcional da renda, que é composta ainda por um terceiro item — o ganho dos autônomos, cuja parcela no bolo total também declinou: de 8,1% da renda para 5,4%. Os dados são das Contas Nacionais, calculadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Esse cenário indica, conforme o relatório, que os ganhos com o crescimento do PIB e os benefícios que as empresas brasileiras tiveram com melhoria de tecnologias podem não ter sido repassados, na mesma proporção, aos trabalhadores. O estudo sugere que “a melhoria na distribuição funcional depende de políticas distributivas de renda e, talvez ainda mais essencialmente, das condições em que os ganhos de produtividade são transmitidos aos trabalhadores. O comportamento das variáveis relevantes para essa transmissão foi pouco favorável aos trabalhadores no período aqui estudado”.
Os dados só foram analisados até 2003 devido a mudanças de metodologia no cálculo do PIB, o que influencia diretamente os números. “De qualquer modo, os dados divulgados pelo IBGE com a nova metodologia mostram que, nos anos mais recentes, a distribuição funcional passou a manter relativa estabilidade na repartição entre rendimentos do trabalho e excedente operacional bruto”, assinala o estudo.
Desigualdade de renda no trabalho
Apesar de a fatia da renda nacional relacionada com os ganhos dos trabalhadores ter diminuído, outros indicadores no estudo mostram que, embora muito elevada, a concentração de renda do trabalho caiu nos últimos anos. Essa concentração é medida pelo índice Gini para o rendimento mensal: quanto mais perto de zero, menor a concentração de renda. De 1992 a 2006, o índice caiu de 0,571 para 0,541, uma melhora de 5,2%.
“Contribuíram para essa melhoria na década atual o comportamento favorável do mercado de trabalho e a elevação do poder de compra do salário mínimo. (...) a razão óbvia é que o rendimento do trabalho é decisivo para a renda das famílias”, destaca o relatório.
Apesar disso, o rendimento médio do trabalhador só tem aumentado recentemente. O relatório mostra que ele chegou a R$ 999 em 1996 (ponto mais alto desde 1992), caiu para R$ 807 em 1994, para se recuperar, gradualmente, e chegar a R$ 904 em 2006.
Informes sobre o confronto EUA x Bolívia
Matéria do sítio da revista eletrônica Terra Magazine, tirem suas conclusões...
Parlasul: EUA "tem dedo" em crise na Bolívia
Quinta, 11 de setembro de 2008, 13h42
11 de setembro de 1973. O presidente chileno Salvador Allende vive uma situação de crescente instabilidade social, com manifestações de massa favoráveis à construção do socialismo, enfrentando atos de sabotagem e locautes patronais, como a famosa greve dos caminhoneiros. Vendo-se cercado pelo levante militar organizado pelo general Augusto Pinochet, Allende se suicida com um tiro dentro do palácio do governo.
11 de setembro de 2008. O presidente boliviano Evo Morales enfrenta graves protestos de oposição espalhados por todo o País, em especial na rica região de Santa Cruz de la Sierra. Sabotagem de gasodutos, invasão de prédios públicos, conflitos nas ruas. Até o momento, Morales permanece no poder.
As semelhanças entre dois momentos históricos distantes, porém parecidos entre si, são observados pelo deputado Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, presidente do Parlamento do Mercosul.
- Naquela ocasião foi financiada pelos Estados Unidos, e agora novamente os Estados Unidos estão por trás de todo esse processo - acusa Rosinha, que também é deputado na Câmara federal pelo PT paranense.
A Bolívia vem enfrentando uma onda de protestos por conta das divergências em torno da nova Constituição, que ainda precisa ser aprovada. Governistas acusam a oposição de não respeitar os processos democráticos.
Os oposicionistas, por sua vez, alegam que o governo federal não atende a suas reinvidicações, particularmente aquelas sobre a autonomia de alguns departamentos (NR: o equivalente aos estados brasileiros) do país.
O presidente do Parlasul levanta, em entrevista a Terra Magazine, a possibilidade de o governo dos Estados Unidos de ter "um dedo" no conflito boliviano. Ele propõe que o Grupo de Amigos da Bolívia (Brasil, Colômbia e Argentina) se reúna para discutir a crise no país.
Rosinha também critica a elite boliviana, que segundo ele mantém vínculos com as ditaduras militares que já governaram o país.
- Para você ter uma idéia: 50 anos atrás, essa maioria (indígena) era proibida de entrar na praça Murillo, que é a praça em frente ao palácio do governo. Quer dizer, imagina que elite é essa.
Leia a seguir a entrevista com o presidente do Parlasul:
Terra Magazine - Como o senhor vê a situação hoje na Bolívia?
Dr. Rosinha - Eu vejo que aqueles que sempre estiveram no poder através das ditaduras militares, ou mesmo no governo Sanchez de Losada (NR: antecessor de Evo Morales), não aceitam o processo democrático que a Bolívia está vivendo. Eles trabalham a favor de golpe militar ou através da divisão do território boliviano.
E a que o senhor atribui essa reação de parte da sociedade boliviana?
A não aceitar o modelo de mudanças que o Evo Morales está dirigindo. Não aceitar a inclusão da maioria indígena da população. Para você ter uma idéia: 50 anos atrás, essa maioria era proibida de entrar na praça Murillo, que é a praça em frente ao palácio do governo. Quer dizer, imagina que elite é essa. A elite de Santa Cruz de la Sierra é a elite que sempre foi favorecida pelas ditaduras militares. O que tem de terras e concessões, nunca compraram... Sempre foram concessões do Estado boliviano. E agora eles não aceitam um governo democrático, referendado por 67% da população.
Como o parlamento do Mercosul vem se posicionando a respeito?
O parlamento já fez duas manifestações em favor da democracia boliviana e contra a divisão do território da Bolívia.
Há exatos 35 anos o presidente chileno Salvador Allende era deposto em meio a uma crise social semelhante à enfrentada hoje por Evo Morales. O senhor vê alguma semelhança entre as duas situações?
Vejo. Naquela ocasião foi financiada pelos Estados Unidos, e agora novamente os Estados Unidos estão por trás de todo esse processo. Tanto é que o Evo Morales expulsou ontem o embaixador dos Estados Unidos. Todas as vezes que eu estive lá (na Bolívia), a informação era de que esse embaixador tinha feito, estimulado e, através do Estados Unidos, financiado esse processo. Ele era o embaixador americano em Kosovo, onde teve todo aquele processo de desagregação.
A expulsão do embaixador foi acertada?
Eu tenho certeza que tem dedo norte-americano no processo. O (Branko) Marinkovic, do Comitê Cívico (NR: entidade de oposição ao governo de Evo Morales), tem um passado de atuação de forças para-militares de direita.
A resposta do governo brasileiro à crise tem sido adequada?
Eu acho que o governo brasileiro tem que chamar o Grupo de Amigos da Bolívia para uma reunião e discutir a questão da Bolívia e, na minha opinião, apoiar o Evo Morales. O referendo revogatório foi uma vitória do povo boliviano. Em Santa Cruz de la Sierra, Morales teve 32% de votos em 2005; agora teve 42% pela continuidade. Ele aumentou o apoio dele em todos os departamentos bolivianos.
Terra Magazine
Leia esta notícia no original em:
Terra - Terra Magazine
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3175227-EI6580,00.html
Parlasul: EUA "tem dedo" em crise na Bolívia
Quinta, 11 de setembro de 2008, 13h42
11 de setembro de 1973. O presidente chileno Salvador Allende vive uma situação de crescente instabilidade social, com manifestações de massa favoráveis à construção do socialismo, enfrentando atos de sabotagem e locautes patronais, como a famosa greve dos caminhoneiros. Vendo-se cercado pelo levante militar organizado pelo general Augusto Pinochet, Allende se suicida com um tiro dentro do palácio do governo.
11 de setembro de 2008. O presidente boliviano Evo Morales enfrenta graves protestos de oposição espalhados por todo o País, em especial na rica região de Santa Cruz de la Sierra. Sabotagem de gasodutos, invasão de prédios públicos, conflitos nas ruas. Até o momento, Morales permanece no poder.
As semelhanças entre dois momentos históricos distantes, porém parecidos entre si, são observados pelo deputado Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, presidente do Parlamento do Mercosul.
- Naquela ocasião foi financiada pelos Estados Unidos, e agora novamente os Estados Unidos estão por trás de todo esse processo - acusa Rosinha, que também é deputado na Câmara federal pelo PT paranense.
A Bolívia vem enfrentando uma onda de protestos por conta das divergências em torno da nova Constituição, que ainda precisa ser aprovada. Governistas acusam a oposição de não respeitar os processos democráticos.
Os oposicionistas, por sua vez, alegam que o governo federal não atende a suas reinvidicações, particularmente aquelas sobre a autonomia de alguns departamentos (NR: o equivalente aos estados brasileiros) do país.
O presidente do Parlasul levanta, em entrevista a Terra Magazine, a possibilidade de o governo dos Estados Unidos de ter "um dedo" no conflito boliviano. Ele propõe que o Grupo de Amigos da Bolívia (Brasil, Colômbia e Argentina) se reúna para discutir a crise no país.
Rosinha também critica a elite boliviana, que segundo ele mantém vínculos com as ditaduras militares que já governaram o país.
- Para você ter uma idéia: 50 anos atrás, essa maioria (indígena) era proibida de entrar na praça Murillo, que é a praça em frente ao palácio do governo. Quer dizer, imagina que elite é essa.
Leia a seguir a entrevista com o presidente do Parlasul:
Terra Magazine - Como o senhor vê a situação hoje na Bolívia?
Dr. Rosinha - Eu vejo que aqueles que sempre estiveram no poder através das ditaduras militares, ou mesmo no governo Sanchez de Losada (NR: antecessor de Evo Morales), não aceitam o processo democrático que a Bolívia está vivendo. Eles trabalham a favor de golpe militar ou através da divisão do território boliviano.
E a que o senhor atribui essa reação de parte da sociedade boliviana?
A não aceitar o modelo de mudanças que o Evo Morales está dirigindo. Não aceitar a inclusão da maioria indígena da população. Para você ter uma idéia: 50 anos atrás, essa maioria era proibida de entrar na praça Murillo, que é a praça em frente ao palácio do governo. Quer dizer, imagina que elite é essa. A elite de Santa Cruz de la Sierra é a elite que sempre foi favorecida pelas ditaduras militares. O que tem de terras e concessões, nunca compraram... Sempre foram concessões do Estado boliviano. E agora eles não aceitam um governo democrático, referendado por 67% da população.
Como o parlamento do Mercosul vem se posicionando a respeito?
O parlamento já fez duas manifestações em favor da democracia boliviana e contra a divisão do território da Bolívia.
Há exatos 35 anos o presidente chileno Salvador Allende era deposto em meio a uma crise social semelhante à enfrentada hoje por Evo Morales. O senhor vê alguma semelhança entre as duas situações?
Vejo. Naquela ocasião foi financiada pelos Estados Unidos, e agora novamente os Estados Unidos estão por trás de todo esse processo. Tanto é que o Evo Morales expulsou ontem o embaixador dos Estados Unidos. Todas as vezes que eu estive lá (na Bolívia), a informação era de que esse embaixador tinha feito, estimulado e, através do Estados Unidos, financiado esse processo. Ele era o embaixador americano em Kosovo, onde teve todo aquele processo de desagregação.
A expulsão do embaixador foi acertada?
Eu tenho certeza que tem dedo norte-americano no processo. O (Branko) Marinkovic, do Comitê Cívico (NR: entidade de oposição ao governo de Evo Morales), tem um passado de atuação de forças para-militares de direita.
A resposta do governo brasileiro à crise tem sido adequada?
Eu acho que o governo brasileiro tem que chamar o Grupo de Amigos da Bolívia para uma reunião e discutir a questão da Bolívia e, na minha opinião, apoiar o Evo Morales. O referendo revogatório foi uma vitória do povo boliviano. Em Santa Cruz de la Sierra, Morales teve 32% de votos em 2005; agora teve 42% pela continuidade. Ele aumentou o apoio dele em todos os departamentos bolivianos.
Terra Magazine
Leia esta notícia no original em:
Terra - Terra Magazine
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3175227-EI6580,00.html
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Viva Evo Morales!!!!
Longa vida a Bolívia! Corajosa atitude de seu presidente.
Segue matéria abaixo:
Respaldam na Bolívia expulsão de embaixador estadunidense
La Paz, 11 set (Prensa Latina)
www.prensalatina.com.br
Organizações sociais da Bolívia respaldam hoje a decisão do presidente boliviano, Evo Morales, de declarar pessoa não grata ao embaixador dos Estados Unidos em La Paz, Philip Goldberg, a quem responsabilizou de conspirar contra seu governo.
Num ato efetuado ontem no Palácio Quemado para apresentar um novo programa de emprego, o presidente explicou os vínculos do diplomata e da delegação que lidera com distúrbios nas regiões de Santa Cruz, Tarija, Pando, Beni e Chuquisaca, cujas autoridades se opõem ao processo de mudança.
Morales deu instruções ao ministro de Relações Exteriores e Cultos, David Choquehuanca, para que iniciasse os trâmites correspondentes para a saída de Goldberg da Bolívia, a quem acusam de financiar grupos violentos.
"O embaixador dos Estados Unidos está conspirando contra a democracia e quer que a Bolívia se despedace", afirmou.
Em reiteradas ocasiões, o governo boliviano havia apresentado provas que associam manobras subversivas com a representação de Washington em La Paz e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
Também denunciaram reuniões secretas de Goldberg com autoridades opositoras ao Executivo, as mais recentes com os governadores Savina Cuéllar (Chuquisaca) e Rubén Costa (Santa Cruz).
Sobre Goldberg, o chefe de Estado andino recordou que é um especialista em dividir países, em alusão a missões anteriores em Kosovo e na ex-Iugoslávia.
A respeito da ocupação e saque de instituições públicas e de ataques dos agrupamentos extremistas vinculados aos comitês cívicos e governos regionais desses cinco territórios, Morales reafirmou que se trata de um golpe de Estado civil, de conseqüências negativas para a economia nacional.
Também denunciou que dirigentes territoriais como os cruzenhos Rubén Costa e o abastado empresário Branko Marinkovic, longe de aceitar o diálogo impulsionado pelo Executivo, incitam a mais violência e a passar a administração dessas dependências ocupadas para as suas mãos, o que é ilegal.
Morales asseverou que na Bolívia está em jogo a decisão por um de dois modelos de Estado e desenvolvimento: o que hasteia o povo com a nacionalização de seus recursos naturais, ou o neoliberalismo que estimula a privatização.
Nesse sentido, destacou a consciência do povo boliviano e a ampla aceitação de uma verdadeira Revolução democrática e cultural.
Nesta quarta-feira, o Executivo tinha anunciado que reforçaria a segurança nas plantas energéticas frente à escalada de atentados contra essas instalações.
Segundo o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, a decisão foi tomada depois do ataque terrorista realizado em um gasoduto na localidade de Villamontes, no estado sul de Tarija.
Essa sabotagem, segundo fontes da estatal Yacimientos Petrolíferos Promotores Bolivianos (YPFB), afetará os envios de gás natural ao Brasil, receitas equivalentes a oito milhões de dólares diários.
Segue matéria abaixo:
Respaldam na Bolívia expulsão de embaixador estadunidense
La Paz, 11 set (Prensa Latina)
www.prensalatina.com.br
Organizações sociais da Bolívia respaldam hoje a decisão do presidente boliviano, Evo Morales, de declarar pessoa não grata ao embaixador dos Estados Unidos em La Paz, Philip Goldberg, a quem responsabilizou de conspirar contra seu governo.
Num ato efetuado ontem no Palácio Quemado para apresentar um novo programa de emprego, o presidente explicou os vínculos do diplomata e da delegação que lidera com distúrbios nas regiões de Santa Cruz, Tarija, Pando, Beni e Chuquisaca, cujas autoridades se opõem ao processo de mudança.
Morales deu instruções ao ministro de Relações Exteriores e Cultos, David Choquehuanca, para que iniciasse os trâmites correspondentes para a saída de Goldberg da Bolívia, a quem acusam de financiar grupos violentos.
"O embaixador dos Estados Unidos está conspirando contra a democracia e quer que a Bolívia se despedace", afirmou.
Em reiteradas ocasiões, o governo boliviano havia apresentado provas que associam manobras subversivas com a representação de Washington em La Paz e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
Também denunciaram reuniões secretas de Goldberg com autoridades opositoras ao Executivo, as mais recentes com os governadores Savina Cuéllar (Chuquisaca) e Rubén Costa (Santa Cruz).
Sobre Goldberg, o chefe de Estado andino recordou que é um especialista em dividir países, em alusão a missões anteriores em Kosovo e na ex-Iugoslávia.
A respeito da ocupação e saque de instituições públicas e de ataques dos agrupamentos extremistas vinculados aos comitês cívicos e governos regionais desses cinco territórios, Morales reafirmou que se trata de um golpe de Estado civil, de conseqüências negativas para a economia nacional.
Também denunciou que dirigentes territoriais como os cruzenhos Rubén Costa e o abastado empresário Branko Marinkovic, longe de aceitar o diálogo impulsionado pelo Executivo, incitam a mais violência e a passar a administração dessas dependências ocupadas para as suas mãos, o que é ilegal.
Morales asseverou que na Bolívia está em jogo a decisão por um de dois modelos de Estado e desenvolvimento: o que hasteia o povo com a nacionalização de seus recursos naturais, ou o neoliberalismo que estimula a privatização.
Nesse sentido, destacou a consciência do povo boliviano e a ampla aceitação de uma verdadeira Revolução democrática e cultural.
Nesta quarta-feira, o Executivo tinha anunciado que reforçaria a segurança nas plantas energéticas frente à escalada de atentados contra essas instalações.
Segundo o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, a decisão foi tomada depois do ataque terrorista realizado em um gasoduto na localidade de Villamontes, no estado sul de Tarija.
Essa sabotagem, segundo fontes da estatal Yacimientos Petrolíferos Promotores Bolivianos (YPFB), afetará os envios de gás natural ao Brasil, receitas equivalentes a oito milhões de dólares diários.
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