Pelos dados do TRE no primeiro turno para prefeito do Rio de 2008 nada menos que 1.299.518 eleitores não votaram em nenhum candidato, as abstenções e os votos nulos e brancos somaram 30,66% do total de eleitores0, mais do que os 1.049.019 do Eduardo Paes que ficou em primeiro lugar.
Como há mensagens circulando com boas razões para não votar nem em um nem em outro (reproduzo ao final deste breve texto). Ambos são candidatos que representam apenas a elite do Rio de Janeiro, candidatos claros da burguesia e sem compromisso com o povo do Rio de Janeiro, apesar das maquiagens.
Sinceramente, não acredito que nenhum dos dois mereça ser prefeito do Rio, nem o camaleão do Paes que cada hora é uma coisa nem o hipócrita do Gabeira. A direita permanecerá com a prefeitura do Rio porque inevitavelmente um dos dois será eleito, mas não com a minha chancela.
Assim, após lerem os motivos que se seguem (e não foram elaborados por mim), convido vocês a uma outra campanha. Um dos caras vai ser eleito, mas vamos fazer com que ele simbolicamente não tenha legitimidade, vote nulo, branco ou simplesmente não vote. Vamos fazer dos que não querem nem Paes nem Gabeira a maioria do povo do Rio. E contestar com uma oposição cidadã (e legítima, pois seremos maioria) qualquer que seja o eleito.
Seguem os argumentos
15 RAZÕES PARA NÃO VOTAR NO GABEIRA
1- Gabeira é o candidato do César Maia, agora, no 2º turno, ou seja, mais um mandato desta praga do DEMo.
Mas vamos recapitular a sua história:
2- O Gabeira era do PV. Como suas votações vinham em constante declínio, percebendo que não seria fácil se eleger pelo PV, se bandeou para o PT, um fato no mínimo estranho porque no Congresso, ele sempre votou com a base aliada de FHC, com o bloco PSDB, Arena/PDS/PFL/DEMo. Por suas afinidades, deveria ter ido para um desses partidos com os quais tinha mais afinidade, porém o Lula estava em ascensão, portanto tiraria melhores proveitos no PT.
3- Nesta época, Gabeira não se preocupava com a corrupção, porque votou favoravelmente à reeleição de FHC, mesmo com as denúncias comprovadas por gravações, da compra de votos de parlamentares. Depois, questionado, disse que na época não se preocupava tanto com este problema, mas que depois achou que deveria dar a sua contribuição, como se, como representante do povo não fosse uma obrigação denunciar a corrupção.
4- Gabeira votou a favor da flexibilização da Lei do petróleo, que agora permite que grandes empresas multinacionais queiram meter a mão no nosso pré-sal, e mesmo diante de tantas denúncias da forma como FHC estava torrando as estatais brasileiras, votou com o governo, favorável à doação.
5- De bobo o Gabeira não tem nada, portanto ele sabia que para aparecer, tinha que puxar o saco da grande imprensa, e como ela SEMPRE foi contra o Lula, logo no início do novo governo, ele já começou a criticar, dizendo exatamente o que a imprensa queria ouvir, fazendo o jogo do ex-aliado arrependido, e então passou a ter grandes espaços no Jornal Nacional e outros programas.
6- Contra a vontade do governo, visando apenas prejudicá-lo, Gabeira, junto com a oposição, elegeu o Severino para presidir a Câmara. Após o resultado vitorioso da oposição ao Lula, entoou junto com eles o hino Nacional. Afirmava que iria moralizar a Câmara. Mas com o Severino? Será que ele ignorava a vida pregressa de seu colega? Difícil acreditar...
7- O Severino não correspondeu aos anseios golpistas daqueles que o elegeram, e aí então resolveram derrubá-lo. Infelizmente, o Congresso Nacional não tem por hábito punir seus membros por corrupção (exemplos não faltam), mas por razões políticas, e eclodiu o escândalo do presidente da Câmara, com retumbante destaque da mídia. Neste momento, a oposição, da qual Gabeira era membro atuante, ainda tentou responsabilizar o governo pela eleição do Severino, mas como se ele tinha sido eleito exatamente pelo voto deles? Quanta hipocrisia!!!
Quando o Severino já estava completamente desmoralizado, Gabeira chutou o cão morto, com direito a todos os holofotes que tanto preza, e que vem usando insistentemente em sua propaganda política.
"Ele fazia o discurso de um grupo restrito, o Posto 9 de Ipanema, era uma audiência muito pequena. Quando foi em cima do Severino, teve a atenção de todo o eleitorado brasileiro, estava falando para 100 milhões de pessoas", diz Ricardo Caldas, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB).
8- Fernando Gabeira, sub-relator da CPI dos sanguessugas (a que apurava a máfia de compras de ambulâncias superfaturadas), demonstrou não estar muito preocupado com a corrupção, quando ela incriminava membros aliados. O depoimento do Juiz Federal Julier Sebastião Rocha (MT) acusou o Senador Antero Paes de Barros (PSDB), de ter recebido recursos irregulares de João Arcanjo, condenado a 37 anos por crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, mas no relatório, Gabeira inocenta o senador. Pegou tão mal que uma semana depois, Gabeira se retrata em seu site, mas Antero já tinha se beneficiado. Pouco depois, Gabeira é capa da revista Veja, como guardião da ética na política brasileira. Mas que ética?
9- Quando o Gabeira, o Franklin e outros, seqüestraram o embaixador dos EUA no Brasil, Elbrick, além da troca de presos-políticos, exigiram que fosse divulgado um manifesto na imprensa, no qual denunciavam os horrores que rolavam nos porões da ditadura. Depois da anistia, quando voltaram os presos políticos do exílio, a imprensa atribuiu a autoria do texto ao Gabeira, até que muito tempo depois, decobriu-se que o texto era do Franklin. Quando perguntaram ao Gabeira por que ele não tinha desmentido, simplesmente disse que ninguém o havia perguntado.
10- Gabeira é o candidato da Globo e da Veja. Se lembrarmos que elas também apoiaram a ditadura, o ACM, o Collor, etc, conclui-se que o passado não lhes confere qualquer credibilidade em seus apoios políticos.
11- A propaganda da TV de Gabeira é enganosa. São citados inúmeros eventos, afirmando que, quando aconteceram, Gabeira estava lá. Pinochet derrubou Allende e inúmeras pessoas foram presas, torturadas e mortas. O golpe foi um retumbante sucesso, e se Gabeira estava lá, era porque tinha sido banido do Brasil, e não para impedir o golpe, como pretende fazer crer a propaganda. No caso do seqüestro do embaixador norte-americano, o Elbrick, segundo os demais participantes, o Gabeira teve uma atuação pífia. Alugou a casa que serviu de cativeiro do seqüestro, mas, desobedecendo a orientação dos líderes, comprou pizzas em local próximo ao cativeiro, facilitando aos militares a descoberta do local. Foi ainda responsabilizado por não cumprir a tarefa que lhe foi designada, de retirar o mimeógrafo de lá. Vale lembrar que um mimeógrafo naqueles tempos era tão incriminador quanto a posse de armas, uma vez que era o meio usado pela resistência à ditadura, para reproduzir e divulgar os seus informes.
Quando os crimes da ditadura foram julgados na Itália, a propaganda alardeia que Gabeira estava lá, fazendo parecer que ele estaria advogando em prol dos perseguidos pela ditadura. Mas Gabeira não é advogado. Estava lá como um simples espectador.
12- Se você tem horror ao crime organizado, saiba que foi Gabeira que ensinou aos criminosos comuns a prática de guerrilha, quando esteve preso na Ilha Grande, tirando proveito de obter a simpatia dos meliantes.
13- Gabeira votou favoravelmente à lei que atenua a punição dos latifundiários que mantêm empregados em regime degradante de semi-escravidão.
14- Mas para mim, o pior foi um episódio que EU VI: o Brasil conseguiu desenvolver uma tecnologia de enriquecimento de urânio muito melhor e mais eficiente do que a dos demais países. Aí então mandaram inspetores para fazer vistoria, naquela paranóia do "desenvolvimento de armas nucleares". Os técnicos brasileiros, cobertos de razão, não quiseram entregar o ouro, e deixaram à mostra a entrada e saída do urânio, cobrindo o segredo. Os inspetores tentaram forçar a barra querendo ver tudo, e a oposição convidou o ministro Celso Amorim, com a nítida intenção de desmoralizar o governo, que estaria fazendo tempestade num copo d'água, para uma sessão no Congresso, para explicar o grave erro que o governo brasileiro estaria cometendo. O Ministro Celso Amorim então afirmou que os técnicos brasileiros explicaram que o que era necessário inspecionar, estava à mostra, e que o que estava escondido era o processo que eles desenvolveram, totalmente desnecessário ao cumprimento da inspeção. País algum entrega a tecnologia que desenvolveu de graça, e que não via sentido do Brasil fazê-lo. Então o Gabeira diz: "Que besteira desse governo de criar problema internacional por causa de um segredinho. Que deixem ver tudo".
Em 1º lugar, não era o governo que fazia a exigência, mas os técnicos. Em 2º lugar, é assim? A gente tem que se sujeitar a tudo que os "países desenvolvidos" querem? O Plínio de Arruda Sampaio, ferrenho crítico do governo Lula, reconhece que a política externa está sendo conduzida com grande eficiência, trazendo maior soberania ao Brasil, perdida nos anos FHC.
Resumo da história, no embate entre os técnicos brasileiros e inspetores, nossos representantes saíram vitoriosos. Fácil é enganar os leigos, mas não os argumentos daqueles que conhecem verdadeiramente o assunto. Se insistissem, estariam reconhecendo que o objetivo era de fato espionar para roubar a tecnologia desenvolvida aqui, e tiveram que aceitar a forma de inspeção que o Brasil queria.
Vale dizer que o Brasil possui uma grande reserva de urânio, e que pode exportar o urânio enriquecido, trazendo divisas para o país. Neste dia, conheci um outro Gabeira: entreguista e subserviente às grandes potências.
Sonia Montenegro"
15- A seguir, um artigo de um jornalista sério, Mauricio Dias, publicada na revista Carta Capital:
SETE MOTIVOS PARA NÃO VOTAR EM EDUARDO PAES
1 - Ele vai aplicar a política de Segregação Social na áreas valorizadas.
Como sub-prefeito da Barra e Jacarepaguá e como Secretário de Meio Ambiente promoveu a perseguição e a remoção de Comunidades pobres para abrir caminho para a especulação imobiliária.
Exemplo Prático: Barra da Tijuca, orla da lagoa da Barra. Removeu a Comunidade oriunda de pescadores ( ele mesmo dirigiu um trator ) para fazer uma área de preservação ambiental. Resultado. Retirou os pobres e no local surgiu o Shopping Barra Point e a sede da Unimed. Seu lema devia ser: 'Preservar para as Elites'.
2 . Ele vai mudar o discurso quando alcançar o poder. Vai trair o eleitor.
Mudou de partido seis vezes. A última as vésperas da eleição. Traiu os amigos.
Exemplo prático: Em 14 anos de vida política é a sexta troca de partido. Em 1993, ainda sub prefeito da Barra da Tijuca, era filiado ao PV, em 1996 foi para o PFL onde se elegeu vereador e deputado federal, em 1999 se filiou ao PTB, em 2001 volta ao PFL, em 2003 vai para o PSDB, por onde se candidata a governador e agora, 2007, vai para o PMDB.
3. Ele é o candidato da especulação imobiliária.
Quem sabe por isso sua campanha já tem cinco vezes o custo de todas as demais campanhas?
Exemplo prático: No PMDB queria vender o quartel da PM do Leblon. Queria vender o parquinho da Cedae do Posto 6. Queria vender a delegacia do Leblon. E outras mais. A Prefeitura bloqueou tudo. Agora o que ele quer é acabar com as APACs e escancarar as portas à especulação imobiliária em toda a Zona Sul. Mas ele tem antecedentes. Aplicou o 'cone de sombras sobre as praias' e gerou uma estranha troca em São Conrado.
4. Ele apoia e é apoiado pelas milícias.
A identificação com os políticos ligados as milícias é flagrante.
Exemplo Prático : Disse, no RJ TV, que as milícias levaram a paz a segurança as Comunidades de Jacarepaguá. É só checar no YouTube. Por 'coincidência' todas as áreas de milicianos estão fechadas com ele. Na Favela do Gouveia, em Paciência, o centro social do vereador Jerônimo Guimarães Filho (Jerominho) montou tendas para oferecer serviços gratuitos como escovação de dentes e aplicação de flúor, verificação de pressão arterial, manicure e até emissão de carteira de identidade com funcionários cedidos pelo Detran. Segundo moradores, junto com as tendas para a prestação dos serviços, chegaram à favela cerca de cinqüenta homens em um caminhão. Eles colocavam placas de CARMINHA Jerominho e do candidato a prefeito EDUARDO PAES nas casas.
5. Ele discrimina e desdenha as minorias e os movimentos sociais.
Está sendo processado pelos índios por ofensa moral. Não compareceu a nenhuma convocação para debate com os Movimentos Sociais.
Exemplo Prático: Quando secretário de Esportes do Rio, Eduardo Paes, desdenhou das aspirações indígenas, quanto ao prédio do antigo museu do índio, ocupado pelos Tamoios, que querem ali estabelecer um Centro de Referência da Cultura Indígena. Prevendo ali um estacionamento disse: 'Gostaríamos muito de ter a área para que o terreno fosse agregado à área do Maracanã'. O Instituto Tamoio está na Justiça contra uma declaração ofensiva do secretário desqualificando o movimento. Veja no site do Tamoio.
6. É oportunista.
Posiciona-se sempre ao lado dos que, momentaneamente, estão em vantagem. Não respeita princípios éticos, acordos, nem linha de conduta. Não tem ideologia, nem coerência política.
Exemplo Prático : Perseguiu incansavelmente o Presidente Lula, o chamou de ladrão e Chefe de quadrilha na CPI dos Correios. Tudo em rede nacional de tv e nos jornais. Agora tenta pegar carona na popularidade do Presidente.
7. Ele usa a Máquina Pública para benefício eleitoreiro.
Ele é acusado de Improbidade Administrativa, compra de votos e obras públicas em praça fantasma. Além de gravar programa eleitoral dentro de uma UPA o que é proibido por lei.
Exemplo Prático: A juíza da 8ª Vara de Fazenda Pública, Alessandra Cristina Tufvesson Peixoto, mandou notificar Eduardo Paes. O MP descobriu que a licitação da Fundação Parques e Jardins, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, dizia que seriam realizadas 'obras de melhorias e tratamento paisagístico na praça situada na Avenida Marechal Rondon com Rua Nazário', na Zona Norte. Ao visitar o local, a perícia do MP constatou que não existe qualquer praça. As melhorias foram feitas, na verdade, dentro do Conjunto Bairro Novo, que tem uma das entradas pela Rua Nazário. A área é propriedade privada e tem guaritas para o controle de entrada e saída de pessoas e veículos. Para o MP, o trabalho visou a benefício eleitoral. Depoimento de uma testemunha e panfletos apreendidos pelos promotores indicam que Eduardo Paes e o servidor público Nelson Curvelano estiveram no condomínio e prometeram aos moradores que fariam melhorias na praça. Naquele ano, Paes foi candidato a deputado federal. Curvelano concorreu para deputado estadual, mas não foi eleito. O panfleto, com fotos e o número de campanha de Paes e Curvelano, dizia que 'as obras da quadra e da área de lazer estão sendo realizadas (...). Vamos juntos, agora no dia 6, eleger quem realmente se comprometeu e faz'. Segundo os promotores, 'eles (Paes e Curvelano) induziram os agentes públicos competentes para a prática de ato de improbidade e dele se beneficiaram indiretamente, com nítido propósito eleitoreiro'.
É um desses o Prefeito de que o Rio precisa?
sábado, 18 de outubro de 2008
terça-feira, 23 de setembro de 2008
No fim das contas sobra para...
... os trabalhadores, de cara temos uma resultado já evidente da crise do capitalismo enquanto US$700 bi são garantidos para a burguesia mundial se recompor da farra, os trabalhadores aposentados dos EUA se ferram (leia matéria abaixo do New York Times, original aqui)
E ainda há quem diga que não há contradição capital x trabalho...
Retirees Filling the Front Line in Market Fears
By JOHN LELAND and LOUIS UCHITELLE
Published: September 22, 2008
Older Americans with investments are among the hardest hit by the turmoil in the financial markets and have the least opportunity to recover.
As companies have switched from fixed pensions to 401(k) accounts, retirees risk losing big chunks of their wealth and income in a single day’s trading, as many have in the last month.
“There’s a terrified older population out there,” said Alicia H. Munnell, director of the Center for Retirement Research at Boston College. “If you’re 45 and the market goes down, it bothers you, but it comes back. But if you’re retired or about to retire, you might have to sell your assets before they have a chance to recover. And people don’t have the luxury of being in bonds because they don’t yield enough for how long we live.”
Today’s retirees have less money in savings, longer life expectancies and greater exposure to market risk than any retirees since World War II. Even before the last week of turmoil, 39 percent of retirees said they expected to outlive their savings, up from 29 percent in 2007, according to a survey by the Employee Benefit Research Institute, an industry-sponsored group in Washington.
“This really highlights the new world of retirement,” said Richard Johnson, a principal research associate at the Urban Institute in Washington. “It’s a much riskier world for retirees, because people don’t have defined-benefit plans. They have pots of money and they have to worry about making it last.”
Carol J. Emerson, 65, sees herself as particularly vulnerable. Her annual income of $50,000 comes almost entirely from dividends, and she says she is worried that as her stocks decline, some of those dividends will fall, too.
“If I were guaranteed that the dividend would remain unchanged, I could ignore that the underlying value of my stocks has eroded,” she said. “But that is not the way it works. If the value of the stocks doesn’t go up again, there are not a lot of companies that can keep on paying a 16 percent dividend.”
Nevertheless, Ms. Emerson decided to push ahead last week with the rebuilding of her sun porch in Ventura, Calif., not wanting to endure any longer the discomfort of life in a mobile home with a leaky and rusting porch.
“I don’t obsess about what is happening, but it is always in the back of my mind,” Ms. Emerson said, adding that she would cancel the $30,000 project if she lost faith that stocks would rebound in her lifetime.
“I can sustain the ups and downs, as long as the downs are followed by ups,” Ms. Emerson said, “but I cannot sustain a constant slow erosion. I am assuming, despite all the terrible news, that somehow things will get better.”
Older people with few assets, including the one-third of retirees who rely on Social Security for 90 percent or more of their income, may not suffer directly from the decline in the stock market, but they feel the pain of higher gas and food prices and reductions in volunteer services like Meals on Wheels, which have been curtailed because of fuel costs.
The collapse of the housing market has hit older homeowners. According to the Center for Retirement Research, Americans over age 63 pulled $300 billion out of their home equity through refinancing from 2001 to 2006, lowering their net worth.
Surveys by AARP, the Transamerica Center for Retirement Studies and the Employee Benefit Research Institute have found that more workers nearing retirement age are putting off their plans to retire, curtailing contributions to their 401(k) accounts and borrowing from the accounts to pay for living expenses, including credit card and mortgage debt.
After three decades of decline, a higher percentage of Americans older than 55 are now working than at any time since 1970, the Bureau of Labor Statistics reports. Some are working because they want to, but many because they need to.
The McKinsey Global Institute reported in June that the typical worker would have to work to age 70 to maintain his or her standard of living in retirement.
Mary O’Connell, 76, and her husband, S. F., 78, of St. Peters, Mo., retired without pensions and with meager benefits from Social Security, counting on income from four stocks. But the bulk of the stock was in Bank of America, whose stock has dropped by nearly a third since the start of the year, including 10 percent last week. “It’s been horrible,” Ms. O’Connell said.
“I can’t cash anything because the value has deteriorated so much that I would lose money. And even if I did I’d face capital gains tax that would wipe out what little bit I’d get.”
At the same time, she said, her “safe” investments — her certificates of deposit — have rolled over to lower interest rates, reducing a reliable stream of income.
Malcolm Gay and Ana Facio Contreras contributed reporting.
E ainda há quem diga que não há contradição capital x trabalho...
Retirees Filling the Front Line in Market Fears
By JOHN LELAND and LOUIS UCHITELLE
Published: September 22, 2008
Older Americans with investments are among the hardest hit by the turmoil in the financial markets and have the least opportunity to recover.
As companies have switched from fixed pensions to 401(k) accounts, retirees risk losing big chunks of their wealth and income in a single day’s trading, as many have in the last month.
“There’s a terrified older population out there,” said Alicia H. Munnell, director of the Center for Retirement Research at Boston College. “If you’re 45 and the market goes down, it bothers you, but it comes back. But if you’re retired or about to retire, you might have to sell your assets before they have a chance to recover. And people don’t have the luxury of being in bonds because they don’t yield enough for how long we live.”
Today’s retirees have less money in savings, longer life expectancies and greater exposure to market risk than any retirees since World War II. Even before the last week of turmoil, 39 percent of retirees said they expected to outlive their savings, up from 29 percent in 2007, according to a survey by the Employee Benefit Research Institute, an industry-sponsored group in Washington.
“This really highlights the new world of retirement,” said Richard Johnson, a principal research associate at the Urban Institute in Washington. “It’s a much riskier world for retirees, because people don’t have defined-benefit plans. They have pots of money and they have to worry about making it last.”
Carol J. Emerson, 65, sees herself as particularly vulnerable. Her annual income of $50,000 comes almost entirely from dividends, and she says she is worried that as her stocks decline, some of those dividends will fall, too.
“If I were guaranteed that the dividend would remain unchanged, I could ignore that the underlying value of my stocks has eroded,” she said. “But that is not the way it works. If the value of the stocks doesn’t go up again, there are not a lot of companies that can keep on paying a 16 percent dividend.”
Nevertheless, Ms. Emerson decided to push ahead last week with the rebuilding of her sun porch in Ventura, Calif., not wanting to endure any longer the discomfort of life in a mobile home with a leaky and rusting porch.
“I don’t obsess about what is happening, but it is always in the back of my mind,” Ms. Emerson said, adding that she would cancel the $30,000 project if she lost faith that stocks would rebound in her lifetime.
“I can sustain the ups and downs, as long as the downs are followed by ups,” Ms. Emerson said, “but I cannot sustain a constant slow erosion. I am assuming, despite all the terrible news, that somehow things will get better.”
Older people with few assets, including the one-third of retirees who rely on Social Security for 90 percent or more of their income, may not suffer directly from the decline in the stock market, but they feel the pain of higher gas and food prices and reductions in volunteer services like Meals on Wheels, which have been curtailed because of fuel costs.
The collapse of the housing market has hit older homeowners. According to the Center for Retirement Research, Americans over age 63 pulled $300 billion out of their home equity through refinancing from 2001 to 2006, lowering their net worth.
Surveys by AARP, the Transamerica Center for Retirement Studies and the Employee Benefit Research Institute have found that more workers nearing retirement age are putting off their plans to retire, curtailing contributions to their 401(k) accounts and borrowing from the accounts to pay for living expenses, including credit card and mortgage debt.
After three decades of decline, a higher percentage of Americans older than 55 are now working than at any time since 1970, the Bureau of Labor Statistics reports. Some are working because they want to, but many because they need to.
The McKinsey Global Institute reported in June that the typical worker would have to work to age 70 to maintain his or her standard of living in retirement.
Mary O’Connell, 76, and her husband, S. F., 78, of St. Peters, Mo., retired without pensions and with meager benefits from Social Security, counting on income from four stocks. But the bulk of the stock was in Bank of America, whose stock has dropped by nearly a third since the start of the year, including 10 percent last week. “It’s been horrible,” Ms. O’Connell said.
“I can’t cash anything because the value has deteriorated so much that I would lose money. And even if I did I’d face capital gains tax that would wipe out what little bit I’d get.”
At the same time, she said, her “safe” investments — her certificates of deposit — have rolled over to lower interest rates, reducing a reliable stream of income.
Malcolm Gay and Ana Facio Contreras contributed reporting.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Lembranças do Tio Carlinhos...
E o velho Tio Carlinhos, o que diria ele sobre a crise atual? Recebi o texto abaixo por correio eletrônico e resolvi compartilhar convosco.
Karl Marx manda lembranças
CESAR BENJAMIN
O que vemos não é erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas
AS ECONOMIAS modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam 'comportamento racional'. Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação.
Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Em meados do século 19, ele destacou três tendências da sociedade que então desabrochava: (a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria; (b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as 'necessidades do estômago' são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada. Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante. Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria.
Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos. Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D' essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia. E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividade produtiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade.
Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos. Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos e alienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos). Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo.
O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D'. Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas. Karl Marx manda lembranças.
CESAR BENJAMIN, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de 'Bom Combate' (Contraponto, 2006). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.
Karl Marx manda lembranças
CESAR BENJAMIN
O que vemos não é erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas
AS ECONOMIAS modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam 'comportamento racional'. Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação.
Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Em meados do século 19, ele destacou três tendências da sociedade que então desabrochava: (a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria; (b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as 'necessidades do estômago' são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada. Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante. Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria.
Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos. Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D' essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia. E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividade produtiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade.
Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos. Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos e alienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos). Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo.
O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D'. Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas. Karl Marx manda lembranças.
CESAR BENJAMIN, 53, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela), é autor de 'Bom Combate' (Contraponto, 2006). Escreve aos sábados, a cada 15 dias, nesta coluna.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Quem são os terroristas?
Quase sempre os contestadores da ordem são taxados de terroristas...
Nunca é demais lembrar que a revolução francesa que inaugurou a hegemonia liberal-burguesa inventou o terrorismo.
Segue abaixo texto do Altamiro Borges publicado no sítio da Carta Maior.
Mídia acoberta terroristas da Bolívia
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país.
Data: 14/09/2008
“Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz”.
Jorge Chávez, líder da oligarquia racista de Tarija.
“Não vejo razão pela qual se deve permitir o Chile se tornar marxista pela irresponsabilidade de seu povo”. Henry Kissinger, secretário de Estado do EUA, poucos dias antes do golpe de 11 de setembro de 1973 que derrubou Salvador Allende.
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Os serviçais da TV Globo tratam os chefões golpistas como “líderes cívicos” e “dirigentes regionais”. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país. Outros “colunistas” bem pagos da mídia chegam a insinuar que a culpa pelos violentos conflitos, que já causaram oito mortes, é do presidente Evo Morales, “um radical e populista” que instigou o separatismo regional.
A manipulação é grotesca até na terminologia. No caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que há décadas enfrentam as oligarquias paramilitares e que foram excluídas violentamente da luta institucional no país, os guerrilheiros são estigmatizados como terroristas, narcotraficantes, bandidos. Já os bandos terroristas da Bolívia, organizados e armados pela elite racista que desrespeita o voto popular, são tratados como “comitês cívicos” e “grupos rebeldes”. O embaixador estadunidense Philip Goldberg, que acaba de ser expulso da Bolívia por estimular abertamente a divisão do país, é apresentado pela mídia subserviente como “negociador”.
A triste lembrança do Chile
O que está em curso na Bolívia é um golpe fascista organizado pela oligarquia local e teleguiado pelos EUA. Seus métodos terroristas lembram o ocorrido no Chile, em setembro de 1973, noutro golpe sangrento orquestrado pelo “império do mal”. Visam desestabilizar e derrubar o governo democraticamente eleito de Evo Morales, confirmado em agosto num referendo. Poucos são os veículos midiáticos e os “colunistas” que denunciam esta conspiração, talvez porque torçam pela derrota do que FHC chamou num paper ao governo Bush de “esquerdização da América Latina”. Como verdadeiro “partido da direita e do capital”, a mídia burguesa não tolera a democracia!
Uma das raras exceções foi o lúcido artigo de Clóvis Rossi, que há muito estava adormecido por seu rancor antiesquerda. “O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas as que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales. Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são uma cópia dos locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende... Nem o governo nem a oposição no Brasil têm o direito ao silêncio”, escreveu, relembrando sua perspicácia e coragem do passado.
O criminoso Philip Goldberg
A conspiração golpista na Bolívia, acobertada pelo grosso da mídia nativa, exige rápida resposta das forças progressistas e democráticas do Brasil. Como afirmou Evo Morales, trata-se de “uma violência fascista com o objetivo de acabar com a democracia e dividir o país”. Sob o biombo da autonomia regional, governadores de cinco departamentos (estados) e abastados empresários têm financiado bandos terroristas que já assassinaram oito camponeses favoráveis ao governo eleito, saquearam prédios públicos, destruíram uma emissora estatal de televisão, sabotaram gasodutos, bloquearam rodovias e proibiram o próprio presidente de pousar em três aeroportos do país.
Segundo relatos de Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior, na semana passada “grupos de jovens de setores da classe média branca, que não escondem seu sentimento racista em relação a Evo Morales, lideraram as manifestações. Capitaneados pela União Juvenil Cruzense (UJC), eles invadiram o prédio da empresa estatal de telecomunicação para ‘entregá-lo à administração do governo Rubén Costas’, de Santa Cruz. Na Televisión Boliviana/Canal 7, saquearam o escritório, destruíram computadores e fizeram uma fogueira na entrada do prédio”. Além de Santa Cruz, as ações terroristas ocorrem em outros quatro departamentos – Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.
Os EUA estão diretamente metidos no complô. O embaixador Philip Goldberg já foi fotografado em eventos da União Juvenil Cruzense (UJC), grupo terrorista de Santa Cruz que utiliza o slogan “terminemos com os ‘collas’ [indígenas], raça maldita”. A embaixada ianque até contratou vários destes bandidos. Goldberg é um fascista convicto. Como embaixador dos EUA na ex-Iugoslávia, ele orquestrou a crise no Kosovo e a sangrenta guerra civil separatista naquele país. Declarado persona non grata, ele finalmente foi expulso da Bolívia. “Não queremos aqui gente separatista, divisionista, que conspira contra a unidade do país”, justificou o presidente Evo Morales.
Intensificar a solidariedade internacionalista
O governo, mesmo aberto ao diálogo, não tem se submetido à pressão dos golpistas, que exigem a anulação da nova Constituição e do referendo que aprovou a manutenção do mandato de Evo Morales. Ocorrido em 10 de agosto, por demanda da própria oposição, o referendo confirmou a força do atual presidente. Evo foi ratificado em 95 das 112 províncias do país e, apesar do caos promovido pelos golpistas, teve mais votos do que na eleição presidencial – obteve 67,41% dos votos, bem acima dos 53,3% em 2005. Sua votação cresceu em oito dos nove departamentos e o referendo ainda revogou o mandato de dois governadores ligados às oligarquias racistas.
Desesperada, a elite investe no terrorismo e esbarra na resistência do governo e do povo. “Vamos agir com serenidade, mas também com firmeza”, diz Alfredo Rada, ministro da Defesa. Walker Sam Miguel, ministro do Interior, garante que “os fascistas não passarão”. O governo já decretou estado de sítio, ameaça deter os chefes terroristas e acionou tropas do exército nos departamentos para garantir o fornecimento de gás e a ordem pública. A derrota dos fascistas, porém, exige o apoio dos governos e dos movimentos sociais na América Latina. O que está em jogo é o avanço da democracia, é a derrota das oligarquias, do “império do mal” e da mídia mentirosa.
Nunca é demais lembrar que a revolução francesa que inaugurou a hegemonia liberal-burguesa inventou o terrorismo.
Segue abaixo texto do Altamiro Borges publicado no sítio da Carta Maior.
Mídia acoberta terroristas da Bolívia
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país.
Data: 14/09/2008
“Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz”.
Jorge Chávez, líder da oligarquia racista de Tarija.
“Não vejo razão pela qual se deve permitir o Chile se tornar marxista pela irresponsabilidade de seu povo”. Henry Kissinger, secretário de Estado do EUA, poucos dias antes do golpe de 11 de setembro de 1973 que derrubou Salvador Allende.
É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Os serviçais da TV Globo tratam os chefões golpistas como “líderes cívicos” e “dirigentes regionais”. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país. Outros “colunistas” bem pagos da mídia chegam a insinuar que a culpa pelos violentos conflitos, que já causaram oito mortes, é do presidente Evo Morales, “um radical e populista” que instigou o separatismo regional.
A manipulação é grotesca até na terminologia. No caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que há décadas enfrentam as oligarquias paramilitares e que foram excluídas violentamente da luta institucional no país, os guerrilheiros são estigmatizados como terroristas, narcotraficantes, bandidos. Já os bandos terroristas da Bolívia, organizados e armados pela elite racista que desrespeita o voto popular, são tratados como “comitês cívicos” e “grupos rebeldes”. O embaixador estadunidense Philip Goldberg, que acaba de ser expulso da Bolívia por estimular abertamente a divisão do país, é apresentado pela mídia subserviente como “negociador”.
A triste lembrança do Chile
O que está em curso na Bolívia é um golpe fascista organizado pela oligarquia local e teleguiado pelos EUA. Seus métodos terroristas lembram o ocorrido no Chile, em setembro de 1973, noutro golpe sangrento orquestrado pelo “império do mal”. Visam desestabilizar e derrubar o governo democraticamente eleito de Evo Morales, confirmado em agosto num referendo. Poucos são os veículos midiáticos e os “colunistas” que denunciam esta conspiração, talvez porque torçam pela derrota do que FHC chamou num paper ao governo Bush de “esquerdização da América Latina”. Como verdadeiro “partido da direita e do capital”, a mídia burguesa não tolera a democracia!
Uma das raras exceções foi o lúcido artigo de Clóvis Rossi, que há muito estava adormecido por seu rancor antiesquerda. “O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas as que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales. Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são uma cópia dos locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende... Nem o governo nem a oposição no Brasil têm o direito ao silêncio”, escreveu, relembrando sua perspicácia e coragem do passado.
O criminoso Philip Goldberg
A conspiração golpista na Bolívia, acobertada pelo grosso da mídia nativa, exige rápida resposta das forças progressistas e democráticas do Brasil. Como afirmou Evo Morales, trata-se de “uma violência fascista com o objetivo de acabar com a democracia e dividir o país”. Sob o biombo da autonomia regional, governadores de cinco departamentos (estados) e abastados empresários têm financiado bandos terroristas que já assassinaram oito camponeses favoráveis ao governo eleito, saquearam prédios públicos, destruíram uma emissora estatal de televisão, sabotaram gasodutos, bloquearam rodovias e proibiram o próprio presidente de pousar em três aeroportos do país.
Segundo relatos de Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior, na semana passada “grupos de jovens de setores da classe média branca, que não escondem seu sentimento racista em relação a Evo Morales, lideraram as manifestações. Capitaneados pela União Juvenil Cruzense (UJC), eles invadiram o prédio da empresa estatal de telecomunicação para ‘entregá-lo à administração do governo Rubén Costas’, de Santa Cruz. Na Televisión Boliviana/Canal 7, saquearam o escritório, destruíram computadores e fizeram uma fogueira na entrada do prédio”. Além de Santa Cruz, as ações terroristas ocorrem em outros quatro departamentos – Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.
Os EUA estão diretamente metidos no complô. O embaixador Philip Goldberg já foi fotografado em eventos da União Juvenil Cruzense (UJC), grupo terrorista de Santa Cruz que utiliza o slogan “terminemos com os ‘collas’ [indígenas], raça maldita”. A embaixada ianque até contratou vários destes bandidos. Goldberg é um fascista convicto. Como embaixador dos EUA na ex-Iugoslávia, ele orquestrou a crise no Kosovo e a sangrenta guerra civil separatista naquele país. Declarado persona non grata, ele finalmente foi expulso da Bolívia. “Não queremos aqui gente separatista, divisionista, que conspira contra a unidade do país”, justificou o presidente Evo Morales.
Intensificar a solidariedade internacionalista
O governo, mesmo aberto ao diálogo, não tem se submetido à pressão dos golpistas, que exigem a anulação da nova Constituição e do referendo que aprovou a manutenção do mandato de Evo Morales. Ocorrido em 10 de agosto, por demanda da própria oposição, o referendo confirmou a força do atual presidente. Evo foi ratificado em 95 das 112 províncias do país e, apesar do caos promovido pelos golpistas, teve mais votos do que na eleição presidencial – obteve 67,41% dos votos, bem acima dos 53,3% em 2005. Sua votação cresceu em oito dos nove departamentos e o referendo ainda revogou o mandato de dois governadores ligados às oligarquias racistas.
Desesperada, a elite investe no terrorismo e esbarra na resistência do governo e do povo. “Vamos agir com serenidade, mas também com firmeza”, diz Alfredo Rada, ministro da Defesa. Walker Sam Miguel, ministro do Interior, garante que “os fascistas não passarão”. O governo já decretou estado de sítio, ameaça deter os chefes terroristas e acionou tropas do exército nos departamentos para garantir o fornecimento de gás e a ordem pública. A derrota dos fascistas, porém, exige o apoio dos governos e dos movimentos sociais na América Latina. O que está em jogo é o avanço da democracia, é a derrota das oligarquias, do “império do mal” e da mídia mentirosa.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Enquanto isso na saga Dantesca...
Há quem diga que isso pode dar até impedimento do presidente por obstrução de justiça (acho lá isso um exagero), mas como diriam os italianos "Si non è vero, è ben trovato"...
direto do blog do Nassif (clique aqui para ler o orginal)
Lula, Satiagraha e a Real Politik
Atenção, um novo capítulo se abre para o caso Satiagraha.
O governo Lula acertou um acordo com a Editora Abril – e, por extensão, com Daniel Dantas – para anular a Operação Satiagraha. O acordo foi montado da seguinte maneira:
1. É impossível interferir nos trabalhos em andamento do Ministério Público Federal e do juiz De Sanctis. A ofensiva de Gilmar Mendes foi um tiro no pé.
2. A estratégia acertada consistirá em tentar anular o inquérito de Protógenes, no âmbito da Polícia Federal. A versão preparada é que o inquérito continha irregularidades que precisariam ser sanadas. E a Polícia Federal colocou seus homens de ouro para “salvar” o inquérito. O trabalho dos “homens de ouro, na verdade, será o de garantir a anulação do inquérito.
3. Ao mesmo tempo, o governo aproveitará o factóide dos 52 funcionários da ABIN que participaram da operação - uma ação de colaboração já prevista pelo Sistema Brasileiro de Inteligência - para consumar a degola de Paulo Lacerda. A matéria do Estadão de domingo, o da "demissão em off" estava correta. Sabe-se, internamente no governo, que a operação foi normal. Assim como se tem plena convicção de que o tal “grampo” entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres foi uma armação. Mas Lula se curvou à real politik.
4. De sua parte, jornais e jornalistas mais envolvidos com o jogo estão reforçando essa versão do “inquérito ilegal” e do messianismo do delegado Protógenes. A armação, agora, terá o reforço da concordância tácita do Palácio.
5. O pacto foi referendado pela Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. O Ministro Tarso Genro foi o que se mostrou mais constrangido com a operação, mas acabou se curvando à força dos fatos. Com essa operação, Lula e Dilma passam a ser aceitos no grande salão nobre, pavimentando a candidatura da Ministra para as próximas eleições.
6. O seu principal adversário, José Serra, já é outro aliado que entrou à reboque da Editora Abril. Está pagando um preço caro, com a descaracterização do seu discurso político.
7. A bola, agora, está com o Ministério Público e o Juiz De Sanctis, que terão que trabalhar com essa nova peça do jogo: a intenção de se anular o inquérito.
Não sei por que, mas o evento da Abril me lembrou aquela cena épica de Francis Ford Copolla, o fecho do filme. Enquanto todos estão na grande ópera, os inimigos são fuzilados na calada da noite.
Na grande festa foram selados os destinos do delegado Protógenes e Paulo Lacerda, dois funcionários públicos cumpridores da lei. Anotem os nomes deles e os repassem para seus filhos e netos: foram dois brasileiros dignos, sacrificados por um jogo sujo.
É o fim da grande batalha pela instituição da legalidade no país? Longe disso. É apenas um novo capítulo. Tanto assim, que integrantes próximos ao jogo estão completamente incomodados, assim como vários colegas jornalistas, que entenderam que esse jogo de cena foi longe demais e está comprometendo a imagem da categoria como um todo.
Com tanta testemunha, tanto conflito de consciência, julgam ser possível varrer o elefante para debaixo do tapete? É muita falta de fé no estágio atual de desenvolvimento do país.
direto do blog do Nassif (clique aqui para ler o orginal)
Lula, Satiagraha e a Real Politik
Atenção, um novo capítulo se abre para o caso Satiagraha.
O governo Lula acertou um acordo com a Editora Abril – e, por extensão, com Daniel Dantas – para anular a Operação Satiagraha. O acordo foi montado da seguinte maneira:
1. É impossível interferir nos trabalhos em andamento do Ministério Público Federal e do juiz De Sanctis. A ofensiva de Gilmar Mendes foi um tiro no pé.
2. A estratégia acertada consistirá em tentar anular o inquérito de Protógenes, no âmbito da Polícia Federal. A versão preparada é que o inquérito continha irregularidades que precisariam ser sanadas. E a Polícia Federal colocou seus homens de ouro para “salvar” o inquérito. O trabalho dos “homens de ouro, na verdade, será o de garantir a anulação do inquérito.
3. Ao mesmo tempo, o governo aproveitará o factóide dos 52 funcionários da ABIN que participaram da operação - uma ação de colaboração já prevista pelo Sistema Brasileiro de Inteligência - para consumar a degola de Paulo Lacerda. A matéria do Estadão de domingo, o da "demissão em off" estava correta. Sabe-se, internamente no governo, que a operação foi normal. Assim como se tem plena convicção de que o tal “grampo” entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres foi uma armação. Mas Lula se curvou à real politik.
4. De sua parte, jornais e jornalistas mais envolvidos com o jogo estão reforçando essa versão do “inquérito ilegal” e do messianismo do delegado Protógenes. A armação, agora, terá o reforço da concordância tácita do Palácio.
5. O pacto foi referendado pela Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. O Ministro Tarso Genro foi o que se mostrou mais constrangido com a operação, mas acabou se curvando à força dos fatos. Com essa operação, Lula e Dilma passam a ser aceitos no grande salão nobre, pavimentando a candidatura da Ministra para as próximas eleições.
6. O seu principal adversário, José Serra, já é outro aliado que entrou à reboque da Editora Abril. Está pagando um preço caro, com a descaracterização do seu discurso político.
7. A bola, agora, está com o Ministério Público e o Juiz De Sanctis, que terão que trabalhar com essa nova peça do jogo: a intenção de se anular o inquérito.
Não sei por que, mas o evento da Abril me lembrou aquela cena épica de Francis Ford Copolla, o fecho do filme. Enquanto todos estão na grande ópera, os inimigos são fuzilados na calada da noite.
Na grande festa foram selados os destinos do delegado Protógenes e Paulo Lacerda, dois funcionários públicos cumpridores da lei. Anotem os nomes deles e os repassem para seus filhos e netos: foram dois brasileiros dignos, sacrificados por um jogo sujo.
É o fim da grande batalha pela instituição da legalidade no país? Longe disso. É apenas um novo capítulo. Tanto assim, que integrantes próximos ao jogo estão completamente incomodados, assim como vários colegas jornalistas, que entenderam que esse jogo de cena foi longe demais e está comprometendo a imagem da categoria como um todo.
Com tanta testemunha, tanto conflito de consciência, julgam ser possível varrer o elefante para debaixo do tapete? É muita falta de fé no estágio atual de desenvolvimento do país.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Enquanto isso na velha luta capital x trabalho...
Há quem diga que a luta de classes acabou...
Entre os que ainda acreditam neste preceito, afirmam que agora é a hora dos trabalhadores no Brasil...
Pois bem, deem uma olhada na matéria que retirei do sítio do PNUD sobre um estudo conjunto PNUD/CEPAL/OIT...
Original da reportagem aqui.
Original do estudo aqui.
GANHO DE CAPITAL SUPERA RENDIMENTO DE TRABALHO NA RENDA
Participação de juros, aluguéis e lucros na renda do Brasil cresceu 34,6%, enquanto fatia de remuneração de empregados caiu 19,8%
TIAGO MALI da PrimaPagina

Juros, aluguéis e lucros foram os itens da renda brasileira que mais cresceram desde a última década, superando o rendimento dos trabalhadores. Os ganhos financeiros representavam, em 1990, 38,4% na renda nacional — um dos componentes do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2003, o peso havia subido para 51,7%. A remuneração das pessoas ocupadas apresentou tendência inversa e passou a ser a parte menor do bolo: caiu de 53,5% para 42,9%.
Os dados constam do relatório Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A experiência brasileira recente, lançado em 8 de setembro por três agências da ONU: CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), OIT (Organização Internacional do Trabalho) e PNUD.
O relatório mostra que a participação da remuneração dos trabalhadores no total de ganhos do Brasil caiu 19,8% entre 1990 e 2003. Nos últimos três anos abordados no estudo, acumulou três quedas. Na direção contrária, os ganhos com juros, aluguéis e lucros (chamados de “excedente operacional bruto”) têm tido forte crescimento — o peso aumentou 34,6% no período e cresceu continuamente nos últimos quatro anos analisados.
Os dois fatores fazem parte da distribuição funcional da renda, que é composta ainda por um terceiro item — o ganho dos autônomos, cuja parcela no bolo total também declinou: de 8,1% da renda para 5,4%. Os dados são das Contas Nacionais, calculadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Esse cenário indica, conforme o relatório, que os ganhos com o crescimento do PIB e os benefícios que as empresas brasileiras tiveram com melhoria de tecnologias podem não ter sido repassados, na mesma proporção, aos trabalhadores. O estudo sugere que “a melhoria na distribuição funcional depende de políticas distributivas de renda e, talvez ainda mais essencialmente, das condições em que os ganhos de produtividade são transmitidos aos trabalhadores. O comportamento das variáveis relevantes para essa transmissão foi pouco favorável aos trabalhadores no período aqui estudado”.
Os dados só foram analisados até 2003 devido a mudanças de metodologia no cálculo do PIB, o que influencia diretamente os números. “De qualquer modo, os dados divulgados pelo IBGE com a nova metodologia mostram que, nos anos mais recentes, a distribuição funcional passou a manter relativa estabilidade na repartição entre rendimentos do trabalho e excedente operacional bruto”, assinala o estudo.
Desigualdade de renda no trabalho
Apesar de a fatia da renda nacional relacionada com os ganhos dos trabalhadores ter diminuído, outros indicadores no estudo mostram que, embora muito elevada, a concentração de renda do trabalho caiu nos últimos anos. Essa concentração é medida pelo índice Gini para o rendimento mensal: quanto mais perto de zero, menor a concentração de renda. De 1992 a 2006, o índice caiu de 0,571 para 0,541, uma melhora de 5,2%.
“Contribuíram para essa melhoria na década atual o comportamento favorável do mercado de trabalho e a elevação do poder de compra do salário mínimo. (...) a razão óbvia é que o rendimento do trabalho é decisivo para a renda das famílias”, destaca o relatório.
Apesar disso, o rendimento médio do trabalhador só tem aumentado recentemente. O relatório mostra que ele chegou a R$ 999 em 1996 (ponto mais alto desde 1992), caiu para R$ 807 em 1994, para se recuperar, gradualmente, e chegar a R$ 904 em 2006.
Entre os que ainda acreditam neste preceito, afirmam que agora é a hora dos trabalhadores no Brasil...
Pois bem, deem uma olhada na matéria que retirei do sítio do PNUD sobre um estudo conjunto PNUD/CEPAL/OIT...
Original da reportagem aqui.
Original do estudo aqui.
GANHO DE CAPITAL SUPERA RENDIMENTO DE TRABALHO NA RENDA
Participação de juros, aluguéis e lucros na renda do Brasil cresceu 34,6%, enquanto fatia de remuneração de empregados caiu 19,8%
TIAGO MALI da PrimaPagina

Juros, aluguéis e lucros foram os itens da renda brasileira que mais cresceram desde a última década, superando o rendimento dos trabalhadores. Os ganhos financeiros representavam, em 1990, 38,4% na renda nacional — um dos componentes do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2003, o peso havia subido para 51,7%. A remuneração das pessoas ocupadas apresentou tendência inversa e passou a ser a parte menor do bolo: caiu de 53,5% para 42,9%.
Os dados constam do relatório Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A experiência brasileira recente, lançado em 8 de setembro por três agências da ONU: CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), OIT (Organização Internacional do Trabalho) e PNUD.
O relatório mostra que a participação da remuneração dos trabalhadores no total de ganhos do Brasil caiu 19,8% entre 1990 e 2003. Nos últimos três anos abordados no estudo, acumulou três quedas. Na direção contrária, os ganhos com juros, aluguéis e lucros (chamados de “excedente operacional bruto”) têm tido forte crescimento — o peso aumentou 34,6% no período e cresceu continuamente nos últimos quatro anos analisados.
Os dois fatores fazem parte da distribuição funcional da renda, que é composta ainda por um terceiro item — o ganho dos autônomos, cuja parcela no bolo total também declinou: de 8,1% da renda para 5,4%. Os dados são das Contas Nacionais, calculadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Esse cenário indica, conforme o relatório, que os ganhos com o crescimento do PIB e os benefícios que as empresas brasileiras tiveram com melhoria de tecnologias podem não ter sido repassados, na mesma proporção, aos trabalhadores. O estudo sugere que “a melhoria na distribuição funcional depende de políticas distributivas de renda e, talvez ainda mais essencialmente, das condições em que os ganhos de produtividade são transmitidos aos trabalhadores. O comportamento das variáveis relevantes para essa transmissão foi pouco favorável aos trabalhadores no período aqui estudado”.
Os dados só foram analisados até 2003 devido a mudanças de metodologia no cálculo do PIB, o que influencia diretamente os números. “De qualquer modo, os dados divulgados pelo IBGE com a nova metodologia mostram que, nos anos mais recentes, a distribuição funcional passou a manter relativa estabilidade na repartição entre rendimentos do trabalho e excedente operacional bruto”, assinala o estudo.
Desigualdade de renda no trabalho
Apesar de a fatia da renda nacional relacionada com os ganhos dos trabalhadores ter diminuído, outros indicadores no estudo mostram que, embora muito elevada, a concentração de renda do trabalho caiu nos últimos anos. Essa concentração é medida pelo índice Gini para o rendimento mensal: quanto mais perto de zero, menor a concentração de renda. De 1992 a 2006, o índice caiu de 0,571 para 0,541, uma melhora de 5,2%.
“Contribuíram para essa melhoria na década atual o comportamento favorável do mercado de trabalho e a elevação do poder de compra do salário mínimo. (...) a razão óbvia é que o rendimento do trabalho é decisivo para a renda das famílias”, destaca o relatório.
Apesar disso, o rendimento médio do trabalhador só tem aumentado recentemente. O relatório mostra que ele chegou a R$ 999 em 1996 (ponto mais alto desde 1992), caiu para R$ 807 em 1994, para se recuperar, gradualmente, e chegar a R$ 904 em 2006.
Informes sobre o confronto EUA x Bolívia
Matéria do sítio da revista eletrônica Terra Magazine, tirem suas conclusões...
Parlasul: EUA "tem dedo" em crise na Bolívia
Quinta, 11 de setembro de 2008, 13h42
11 de setembro de 1973. O presidente chileno Salvador Allende vive uma situação de crescente instabilidade social, com manifestações de massa favoráveis à construção do socialismo, enfrentando atos de sabotagem e locautes patronais, como a famosa greve dos caminhoneiros. Vendo-se cercado pelo levante militar organizado pelo general Augusto Pinochet, Allende se suicida com um tiro dentro do palácio do governo.
11 de setembro de 2008. O presidente boliviano Evo Morales enfrenta graves protestos de oposição espalhados por todo o País, em especial na rica região de Santa Cruz de la Sierra. Sabotagem de gasodutos, invasão de prédios públicos, conflitos nas ruas. Até o momento, Morales permanece no poder.
As semelhanças entre dois momentos históricos distantes, porém parecidos entre si, são observados pelo deputado Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, presidente do Parlamento do Mercosul.
- Naquela ocasião foi financiada pelos Estados Unidos, e agora novamente os Estados Unidos estão por trás de todo esse processo - acusa Rosinha, que também é deputado na Câmara federal pelo PT paranense.
A Bolívia vem enfrentando uma onda de protestos por conta das divergências em torno da nova Constituição, que ainda precisa ser aprovada. Governistas acusam a oposição de não respeitar os processos democráticos.
Os oposicionistas, por sua vez, alegam que o governo federal não atende a suas reinvidicações, particularmente aquelas sobre a autonomia de alguns departamentos (NR: o equivalente aos estados brasileiros) do país.
O presidente do Parlasul levanta, em entrevista a Terra Magazine, a possibilidade de o governo dos Estados Unidos de ter "um dedo" no conflito boliviano. Ele propõe que o Grupo de Amigos da Bolívia (Brasil, Colômbia e Argentina) se reúna para discutir a crise no país.
Rosinha também critica a elite boliviana, que segundo ele mantém vínculos com as ditaduras militares que já governaram o país.
- Para você ter uma idéia: 50 anos atrás, essa maioria (indígena) era proibida de entrar na praça Murillo, que é a praça em frente ao palácio do governo. Quer dizer, imagina que elite é essa.
Leia a seguir a entrevista com o presidente do Parlasul:
Terra Magazine - Como o senhor vê a situação hoje na Bolívia?
Dr. Rosinha - Eu vejo que aqueles que sempre estiveram no poder através das ditaduras militares, ou mesmo no governo Sanchez de Losada (NR: antecessor de Evo Morales), não aceitam o processo democrático que a Bolívia está vivendo. Eles trabalham a favor de golpe militar ou através da divisão do território boliviano.
E a que o senhor atribui essa reação de parte da sociedade boliviana?
A não aceitar o modelo de mudanças que o Evo Morales está dirigindo. Não aceitar a inclusão da maioria indígena da população. Para você ter uma idéia: 50 anos atrás, essa maioria era proibida de entrar na praça Murillo, que é a praça em frente ao palácio do governo. Quer dizer, imagina que elite é essa. A elite de Santa Cruz de la Sierra é a elite que sempre foi favorecida pelas ditaduras militares. O que tem de terras e concessões, nunca compraram... Sempre foram concessões do Estado boliviano. E agora eles não aceitam um governo democrático, referendado por 67% da população.
Como o parlamento do Mercosul vem se posicionando a respeito?
O parlamento já fez duas manifestações em favor da democracia boliviana e contra a divisão do território da Bolívia.
Há exatos 35 anos o presidente chileno Salvador Allende era deposto em meio a uma crise social semelhante à enfrentada hoje por Evo Morales. O senhor vê alguma semelhança entre as duas situações?
Vejo. Naquela ocasião foi financiada pelos Estados Unidos, e agora novamente os Estados Unidos estão por trás de todo esse processo. Tanto é que o Evo Morales expulsou ontem o embaixador dos Estados Unidos. Todas as vezes que eu estive lá (na Bolívia), a informação era de que esse embaixador tinha feito, estimulado e, através do Estados Unidos, financiado esse processo. Ele era o embaixador americano em Kosovo, onde teve todo aquele processo de desagregação.
A expulsão do embaixador foi acertada?
Eu tenho certeza que tem dedo norte-americano no processo. O (Branko) Marinkovic, do Comitê Cívico (NR: entidade de oposição ao governo de Evo Morales), tem um passado de atuação de forças para-militares de direita.
A resposta do governo brasileiro à crise tem sido adequada?
Eu acho que o governo brasileiro tem que chamar o Grupo de Amigos da Bolívia para uma reunião e discutir a questão da Bolívia e, na minha opinião, apoiar o Evo Morales. O referendo revogatório foi uma vitória do povo boliviano. Em Santa Cruz de la Sierra, Morales teve 32% de votos em 2005; agora teve 42% pela continuidade. Ele aumentou o apoio dele em todos os departamentos bolivianos.
Terra Magazine
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Terra - Terra Magazine
http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3175227-EI6580,00.html
Parlasul: EUA "tem dedo" em crise na Bolívia
Quinta, 11 de setembro de 2008, 13h42
11 de setembro de 1973. O presidente chileno Salvador Allende vive uma situação de crescente instabilidade social, com manifestações de massa favoráveis à construção do socialismo, enfrentando atos de sabotagem e locautes patronais, como a famosa greve dos caminhoneiros. Vendo-se cercado pelo levante militar organizado pelo general Augusto Pinochet, Allende se suicida com um tiro dentro do palácio do governo.
11 de setembro de 2008. O presidente boliviano Evo Morales enfrenta graves protestos de oposição espalhados por todo o País, em especial na rica região de Santa Cruz de la Sierra. Sabotagem de gasodutos, invasão de prédios públicos, conflitos nas ruas. Até o momento, Morales permanece no poder.
As semelhanças entre dois momentos históricos distantes, porém parecidos entre si, são observados pelo deputado Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha, presidente do Parlamento do Mercosul.
- Naquela ocasião foi financiada pelos Estados Unidos, e agora novamente os Estados Unidos estão por trás de todo esse processo - acusa Rosinha, que também é deputado na Câmara federal pelo PT paranense.
A Bolívia vem enfrentando uma onda de protestos por conta das divergências em torno da nova Constituição, que ainda precisa ser aprovada. Governistas acusam a oposição de não respeitar os processos democráticos.
Os oposicionistas, por sua vez, alegam que o governo federal não atende a suas reinvidicações, particularmente aquelas sobre a autonomia de alguns departamentos (NR: o equivalente aos estados brasileiros) do país.
O presidente do Parlasul levanta, em entrevista a Terra Magazine, a possibilidade de o governo dos Estados Unidos de ter "um dedo" no conflito boliviano. Ele propõe que o Grupo de Amigos da Bolívia (Brasil, Colômbia e Argentina) se reúna para discutir a crise no país.
Rosinha também critica a elite boliviana, que segundo ele mantém vínculos com as ditaduras militares que já governaram o país.
- Para você ter uma idéia: 50 anos atrás, essa maioria (indígena) era proibida de entrar na praça Murillo, que é a praça em frente ao palácio do governo. Quer dizer, imagina que elite é essa.
Leia a seguir a entrevista com o presidente do Parlasul:
Terra Magazine - Como o senhor vê a situação hoje na Bolívia?
Dr. Rosinha - Eu vejo que aqueles que sempre estiveram no poder através das ditaduras militares, ou mesmo no governo Sanchez de Losada (NR: antecessor de Evo Morales), não aceitam o processo democrático que a Bolívia está vivendo. Eles trabalham a favor de golpe militar ou através da divisão do território boliviano.
E a que o senhor atribui essa reação de parte da sociedade boliviana?
A não aceitar o modelo de mudanças que o Evo Morales está dirigindo. Não aceitar a inclusão da maioria indígena da população. Para você ter uma idéia: 50 anos atrás, essa maioria era proibida de entrar na praça Murillo, que é a praça em frente ao palácio do governo. Quer dizer, imagina que elite é essa. A elite de Santa Cruz de la Sierra é a elite que sempre foi favorecida pelas ditaduras militares. O que tem de terras e concessões, nunca compraram... Sempre foram concessões do Estado boliviano. E agora eles não aceitam um governo democrático, referendado por 67% da população.
Como o parlamento do Mercosul vem se posicionando a respeito?
O parlamento já fez duas manifestações em favor da democracia boliviana e contra a divisão do território da Bolívia.
Há exatos 35 anos o presidente chileno Salvador Allende era deposto em meio a uma crise social semelhante à enfrentada hoje por Evo Morales. O senhor vê alguma semelhança entre as duas situações?
Vejo. Naquela ocasião foi financiada pelos Estados Unidos, e agora novamente os Estados Unidos estão por trás de todo esse processo. Tanto é que o Evo Morales expulsou ontem o embaixador dos Estados Unidos. Todas as vezes que eu estive lá (na Bolívia), a informação era de que esse embaixador tinha feito, estimulado e, através do Estados Unidos, financiado esse processo. Ele era o embaixador americano em Kosovo, onde teve todo aquele processo de desagregação.
A expulsão do embaixador foi acertada?
Eu tenho certeza que tem dedo norte-americano no processo. O (Branko) Marinkovic, do Comitê Cívico (NR: entidade de oposição ao governo de Evo Morales), tem um passado de atuação de forças para-militares de direita.
A resposta do governo brasileiro à crise tem sido adequada?
Eu acho que o governo brasileiro tem que chamar o Grupo de Amigos da Bolívia para uma reunião e discutir a questão da Bolívia e, na minha opinião, apoiar o Evo Morales. O referendo revogatório foi uma vitória do povo boliviano. Em Santa Cruz de la Sierra, Morales teve 32% de votos em 2005; agora teve 42% pela continuidade. Ele aumentou o apoio dele em todos os departamentos bolivianos.
Terra Magazine
Leia esta notícia no original em:
Terra - Terra Magazine
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